MONTANHISMO
Por: Elias Luiz  |  17.06.2026  •  11:55

A alemã Billi Bierling é uma das maiores especialistas em Everest e montanhismo de altitude da atualidade. Nascida em Garmisch-Partenkirchen, tradicional centro do alpinismo alemão, já escalou seis montanhas acima dos oito mil metros e desde 2016 dirige a Himalayan Database, a principal base de dados sobre expedições no Himalaia, criada pela lendária pesquisadora britânica Elizabeth Hawley. Entre a Alemanha e o Nepal, Bierling acompanha há décadas a evolução das expedições no Everest. Para ela, a temporada recorde de 2026 mostrou que a montanha precisa de mudanças.

Extremos Store


Imagem da Notícia
Via Alpina
Elias Luiz
R$ 79 • frete grátis
Imagem da Notícia
Everest
Elias Luiz
R$ 79 • frete grátis
Imagem da Notícia
Patagonia
Elias Luiz
R$ 79 • frete grátis

As declarações apresentadas nesta reportagem foram publicadas originalmente em uma entrevista concedida por Billi Bierling à revista alemã ALPIN, uma das mais tradicionais publicações de montanhismo da Europa.

Acho que chegou a hora de introduzir novas regras.

Billi Bierling

Segundo Bierling, embora 2026 possa entrar para a história como a temporada com o maior número de cumes e proporcionalmente uma das menores taxas de mortalidade, a realidade nos bastidores é mais complexa. Muitos resgates bem-sucedidos ajudaram a manter as estatísticas sob controle.

Escaladores cada vez menos experientes

Bierling afirma observar há anos um aumento constante no número de clientes com pouca experiência em montanha. Além disso, parte dos chamados High Altitude Workers, profissionais responsáveis por acompanhar os clientes em grandes altitudes, também não possui treinamento adequado.

Na avaliação dela, essa combinação representa um dos maiores desafios atuais para a segurança no Everest.

Adalberto
Adalberto Neto enfrentou neste ano mais de duas horas de espera na fila próxima ao Hillary Step. Foto: Adalberto Neto

O problema das expedições baratas

Um dos pontos que mais preocupam Bierling é a crescente oferta de expedições com preços muito abaixo da média do mercado. Ela relata encontrar frequentemente candidatos ao Everest com pouca experiência que contratam agências extremamente baratas.

Quem compra hoje um pacote para o Everest por 35 mil dólares deveria ter consciência de que alguma economia precisou ser feita em algum lugar.

Billi Bierling

Segundo ela, esses cortes podem afetar a qualidade da assistência prestada aos clientes, a quantidade de oxigênio suplementar disponível e o suporte oferecido na montanha.

Experiência prévia acima de 6.500 metros

Bierling considera positiva a proposta de exigir experiência prévia em montanhas acima de 6.500 metros antes de tentar o Everest. Na sua avaliação, isso garantiria que os candidatos chegassem à montanha dominando habilidades básicas como o uso de crampons, técnicas de auto-detenção e progressão em cordas fixas.

Apesar disso, ela reconhece que a implementação e a fiscalização dessa exigência não seriam simples.

Quem pode guiar no Everest?

Para Bierling, um dos problemas mais sérios está relacionado à formação dos profissionais que conduzem clientes. Ela compara a situação do Everest com montanhas como o Matterhorn e o Mont Blanc, onde ninguém pode atuar comercialmente como guia sem uma formação reconhecida.

Atualmente existem cerca de 75 guias de montanha nepaleses oficialmente formados, mas esse número está muito longe de atender à demanda de trabalhadores de altitude.

Billi Bierling

Na prática, muitos profissionais acompanham clientes sem possuir certificação equivalente aos padrões internacionais.

Adalberto Neto
A grande fila na passagem da famosa Franja Amarela. Foto: Adalberto Neto

O número de permissões é realmente o problema?

Bierling não acredita que o número absoluto de pessoas seja necessariamente o principal problema do Everest. Para ela, a maior dificuldade está na concentração das tentativas de cume em poucos dias de bom tempo.

Ela lembra que, em 20 de maio de 2026, 291 pessoas chegaram ao cume. No dia seguinte, outras 191 alcançaram o topo. Isso provocou grandes congestionamentos na parte final da montanha.

No Hillary Step houve esperas de até três horas no dia 20 de maio.

Billi Bierling

Segundo ela, uma melhor distribuição das equipes ao longo da temporada poderia reduzir significativamente esses congestionamentos, mesmo sem diminuir o número de permissões emitidas.

O que mais precisa mudar?

Bierling sugere reunir representantes de todos os setores envolvidos na montanha para discutir soluções conjuntas. Entre eles estariam sherpas, guias de montanha, líderes de expedição, médicos, Icefall Doctors e representantes do governo do Nepal.

Ela também vê com bons olhos o uso crescente de drones para transporte de cargas. Na sua avaliação, essa tecnologia pode reduzir significativamente o número de travessias pelo perigoso Khumbu Icefall, diminuindo a exposição dos trabalhadores aos riscos da montanha.

Um alerta para quem sonha com o Everest

Bierling recomenda que os clientes pesquisem cuidadosamente quem será o profissional responsável por acompanhá-los na montanha.

Adalberto
Billi Bierling no cume do Lhotse com o Everest ao fundo. Foto: Billi Bierling

Quem contrata uma empresa mais barata deveria verificar se o trabalhador de altitude que o acompanhará já esteve no Everest ou possui experiência relevante em alta montanha.

Billi Bierling

Segundo ela, nem sempre isso acontece. Em alguns casos, candidatos inexperientes acabam escalando o Everest acompanhados por trabalhadores de altitude igualmente pouco experientes, uma combinação que aumenta consideravelmente os riscos na montanha.

comentários
LIVROS

COMPRE AGORA

Elias Luiz possui um estilo de escrita singular, proporcionando aos leitores a sensação de fazerem parte da aventura enquanto percorrem as páginas do livro. Repleto de reflexões sobre a vida moderna e superação, apresentando a experiência única de viver um grande aventura em meio à natureza. As obras são enriquecidas com fotos e mapas que estimulam a imaginação do leitor. É impossível mergulhar na leitura sem sentir o desejo de colocar uma mochila nas costas e vivenciar sua própria jornada. Boa leitura e boas aventuras!

 

R$ 79 / frete grátis
  • 340 páginas
  • 70 fotos
  • 23 mapas

Suíça e Liechtenstein

(2 reviews)

Elias Luiz percorreu 390 km pela Via Alpina, atravessando a Suíça de Vaduz a Montreux, superando 23.500 metros de altimetria e transformando essa jornada em seu novo livro de aventura.

R$ 79 / frete grátis
  • 324 páginas
  • 70 fotos
  • 29 mapas

Argentina e Chile

(881 reviews)

Elias Luiz percorreu trilhas de longa distância em Bariloche, diversos roteiros em El Chaltén, o magnífico Circuito O em Torres del Paine e o Circuito Dientes de Navarino em Puerto Williams.

R$ 79 / frete grátis
  • 276 páginas
  • 75 fotos
  • 20 mapas

Nepal e Tibet

(917 reviews)

O trekking ao Campo Base do Everest é a trilha mais desejada por todo aventureiro e Elias Luiz relata a sua grande jornada pelo Nepal e também pelo Tibet, passando pela face norte.

R$ 79 / frete grátis
  • 320 páginas
  • 60 fotos
  • 1 mapa

Canadá

(722 reviews)

A Great Divide Trail, com seus 1.100 km é uma das trilhas mais inóspitas, difíceis e bonitas do planeta. Embarque junto com Elias Luiz e Daiane Luise nessa aventura repleta de ursos.

R$ 79 / frete grátis
  • 272 páginas
  • 66 fotos
  • 1 mapa

Suécia e Noruega

(793 reviews)

Você está prestes a conhecer uma das regiões mais selvagens da Europa, na Lapônia, acima do Círculo Polar Ártico, repleta de ursos, lobos, renas e a magistral Aurora Boreal.

R$ 55 / eBook
  • 300 páginas
  • 60 fotos
  • 12 mapas

França, Itália e Suíça

(3.728 reviews)

Para você que sonha em colocar a mochila nas costas e fazer uma viagem de aventura, este livro será uma grande inspiração. Elias Luiz narra a sua aventura pelos Alpes.

Se você sonha em fazer uma caminhada de longa distância, aproveite o roteiro oferecido por Elias Luiz, onde ele refaz a trilha original do seu livro Tour du Mont Blanc. Serão 170 km em 11 dias de caminhada e dias de descanso na charmosa Chamonix e em Courmayeur. Viva essa experiência!



O MELHOR DO TMB

Passeios inclusos para o Mer de Glace e Aiguille du Midi.

BAGAGEM

Transporte de bagagem incluso. Você caminhará leve.

OFERTA ESPECIAL

€ 4.290,00 dividido em 3 parcelas o trecho terrestre.

DEPOIMENTOS

"Gostaria de registrar o carinho e capricho que tens com os leitores. Como sou leitor das antigas prefiro o livro impresso! Ainda fico ansioso pela chegada de um novo livro. O teu vai além de um "simples" livro. Tem qualidade, interatividade, arte, uma fotografia fantástica e uma ótima e envolvente história. Obrigado por me inspirar a buscar cada vez mais a 'Waldeinsamkeit' .
Alles Gutes für dich!"

Rafael SilvaLeitor de Rocky Mountains

"Adorei Elias! Senti emoção, medo, achei que você é maluco, senti saudades, fiquei com vontade de fazer a trilha, e no final desisti… mas não de fazer trilhas tá! Só desse final perigoso! Parabéns pelo livro, pela coragem e determinação! Parabéns por nos inspirar, por fazer olhar o mundo de diferentes formas. Por nos mostrar que devemos sair da rotina, sentir a natureza, viajar… e o que mais precisamos é ter um coração em paz e bons amigos!"

Kelly Cardelli Leitora de Patagonia

"Obrigada Elias, o livro é sensacional! A riqueza de detalhes impressiona, devorei o livro ontem a noite, em muitos momentos me emocionei e me senti caminhando contigo a cada parágrafo que ia lendo. Você conseguiu passar a emoção vivida, e isso é sensacional pra nós leitores! Não vejo a hora de estar lá!"

Anelize Damy Leitora de Tour du Mont Blanc

"Completar o TMB com o Extremos foi uma experiência incrível. Uma trilha desafiadora pelo desnível, mas que te recompensa sempre com paisagens deslumbrantes, natureza preservada, sabores, sons e água pura. Passamos por três países, cidades, vilarejos, refúgios aconchegantes, florestas e fazendas, sempre com a montanha por perto nos mostrando sua grandiosidade e beleza. Uma imersão intensa na cultura alpina e no espírito de união entre os hikers que encontramos na trilha.

Marcos Ribeiro Hiker do TMB