MANUAL DO TREKKING
Elias Luiz Por: Elias Luiz  |  24.06.2026

Essa é uma das partes mais importantes da sua aventura. Também costuma ser uma das mais divertidas e, ao mesmo tempo, uma das mais estressantes. Descobrir qual é o equipamento ideal para cada trilha leva tempo. E experiência.

Com o passar dos anos, você vai perceber que um equipamento que funcionou perfeitamente em uma viagem pode não servir para outra. Isso acontece com a mochila, o saco de dormir, a barraca e praticamente todos os outros itens do seu equipamento.

Como tudo na vida, você terá que fazer escolhas. O que funciona muito bem em uma aventura pode não ser a melhor opção em outra. É aí que entra o valor da experiência.

Com o tempo, você aprende a escolher equipamentos que sejam excelentes para determinada situação e suficientemente bons para a maioria das outras. Afinal, não faz sentido ter quatro sacos de dormir, três barracas, cinco agasalhos e várias mochilas apenas para cobrir todas as possibilidades.

É claro que existem exceções. O saco de dormir de -5 °C que acompanha você na maioria dos trekkings dificilmente servirá para uma escalada ao Everest. Da mesma forma, uma barraca feita para uma travessia de verão talvez não resista ao inverno da Patagônia.

O objetivo deste Manual do Trekking é justamente encurtar esse caminho de aprendizagem. Quero evitar que você cometa muitos dos erros que eu já cometi ao longo de mais de duas décadas caminhando por trilhas em diferentes partes do mundo.

Isso não significa que você nunca vai errar. Aliás, até hoje continuo fazendo pequenos ajustes antes de cada viagem. Cada trilha apresenta desafios diferentes e essa busca pelo equipamento ideal provavelmente continuará até o fim dos meus dias.

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O Big Three

Vamos começar pelo principal.

Se existe um conceito que todo praticante de trekking deveria conhecer, ele é o Big Three. Além de estar no nosso Dicionário do Trekking, esse termo representa a base de toda a montagem da mochila.

Em qualquer travessia, existe um núcleo que define praticamente todo o restante do equipamento: mochila, abrigo e sistema de dormir. Esse conjunto é conhecido como Big Three, ou Big 3 Gear.

São justamente os três equipamentos mais pesados da mochila e, por isso, aqueles que mais influenciam o peso final da carga. Todo o restante do equipamento é escolhido a partir deles.

Quando o Big Three está mal resolvido, a mochila vira um ajuste constante de erros. Quando está equilibrado, caminhar fica mais confortável, o corpo sofre menos e você ganha eficiência durante toda a travessia.

É por isso que os trekkers mais experientes costumam concentrar seus maiores investimentos justamente nesses três equipamentos. Reduzir um quilo na mochila, na barraca ou no sistema de dormir produz muito mais resultado do que economizar algumas gramas em dezenas de pequenos acessórios.

Como referência, muitos praticantes de trilhas de longa distância procuram manter o peso do Big Three dentro destas faixas aproximadas:

Equipamento
Convencional
Ultralight
Mochila
1,6 a 2,2 kg
400 a 900 g
Barraca
1,8 a 2,8 kg
600 g a 1,2 kg
Sistema de dormir
1,5 a 2,3 kg
700 g a 1,5 kg
Total (Big Three)
4,9 a 7,3 kg
1,7 a 3,6 kg

Isso não significa que você precise correr para comprar equipamentos ultraleves. Eles costumam ser caros e, muitas vezes, exigem experiência para serem utilizados corretamente.

A prioridade deve ser outra: entender o que realmente funciona para o seu tipo de aventura. O equipamento ideal não é o mais leve do mercado, mas aquele que oferece o melhor equilíbrio entre peso, conforto, segurança, durabilidade e custo para a trilha que você pretende fazer.

Nos links abaixo vamos nos aprofundar em cada um desses equipamentos e entender quais características realmente fazem diferença na hora da escolha.

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O segredo está nas camadas

Esqueça a ideia de que enfrentar o frio significa vestir o máximo de roupas possível. Em trekking, eficiência vale mais do que quantidade. O sistema de camadas permite adaptar o vestuário às mudanças do clima, mantendo o corpo seco, aquecido e confortável sem aumentar desnecessariamente o peso da mochila.

Ao longo de uma caminhada você pode enfrentar sol forte, vento gelado, chuva e temperaturas próximas de zero no mesmo dia. Em vez de carregar várias roupas pesadas, basta acrescentar ou retirar camadas conforme as condições mudam.

A primeira camada

Também chamada de segunda pele, fica em contato direto com o corpo. Sua principal função é afastar o suor da pele para que ele evapore rapidamente. Permanecer seco significa sentir menos frio durante as paradas e caminhar com muito mais conforto.

A camada de isolamento

É responsável por reter o calor produzido pelo próprio corpo. Fleeces e jaquetas de pluma são os exemplos mais conhecidos. Dependendo da temperatura, essa camada pode ser mais fina ou mais espessa.

A camada de proteção

É a barreira contra vento, chuva e neve. Normalmente é formada por uma jaqueta impermeável e respirável, capaz de impedir a entrada de água sem dificultar a saída do vapor gerado pelo suor.

Menos roupas, mais eficiência

O objetivo não é levar muitas peças, mas sim escolher roupas que trabalhem em conjunto. Um bom sistema de camadas ocupa menos espaço na mochila, reduz o peso transportado e oferece muito mais versatilidade do que um casaco pesado utilizado apenas em situações específicas.

Nos próximos tópicos vamos conhecer em detalhes como escolher cada peça do vestuário, entender quando utilizar tecidos sintéticos, lã merino ou plumas, além de aprender a montar um sistema de camadas eficiente para qualquer tipo de trekking.

Mochila de trekking
A mochila define o ritmo da caminhada mais do que qualquer outro fator.
© Elias Luiz / Extremos
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Comida é energia, não escolha

Na trilha, comida não é sobre prazer. É sobre continuar andando.

Você escolhe pelo que sustenta o corpo, não pelo que agrada o momento.

E pelo que não adiciona peso desnecessário à caminhada.

cozinha no trekking

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No fim, sobra o essencial

A trilha faz uma seleção natural do equipamento.

Depois de alguns dias, o que sobra na mochila é exatamente o que funciona na prática.

E quase sempre é menos do que você imaginou no início.