Caminhar é viver.
A melhor preparação para caminhar é caminhar. Parece óbvio, mas muita gente tenta substituir a trilha por exercícios que não reproduzem o esforço real de carregar peso por horas.
Corrida, bicicleta e musculação ajudam, mas o corpo precisa aprender o gesto específico: subir, descer, pisar em terreno irregular, usar bastões, carregar mochila e repetir tudo no dia seguinte.
A trilha cobra continuidade. Não basta estar forte no primeiro dia.
Muita gente teme a subida, mas a descida costuma destruir joelhos, pés e unhas. Treine ambas. Subir exige fôlego e força; descer exige controle, equilíbrio e paciência.
Inclua escadas, morros, trilhas curtas e caminhadas com desnível. Use a mesma bota ou tênis que pretende levar e teste meias, palmilhas e pontos de atrito.
O corpo precisa descobrir os problemas perto de casa, não no terceiro dia de uma travessia.
Não comece treinando com todo o peso. Aumente aos poucos. Primeiro acostume ombros, quadril e lombar. Depois simule o peso real da travessia.
Treinar com mochila ajuda a ajustar fitas, barrigueira, distribuição de carga e postura. Também revela se o equipamento escolhido conversa bem com o seu corpo.
Uma mochila mal ajustada transforma qualquer preparo físico em sofrimento desnecessário.
Preparo físico não é apenas esforço. É descanso, sono, alimentação e consistência. Lesões aparecem quando a pressa fala mais alto que o corpo.
Aumente volume e intensidade com calma. Faça caminhadas longas nos fins de semana, mas mantenha regularidade durante a semana. O corpo gosta de rotina.
Na trilha, vence menos quem treina como atleta e mais quem chega inteiro.