A temporada de 2026 no Monte McKinley, também conhecido como Denali, começou marcada por uma sequência dura de acidentes. Em poucos dias, a montanha mais alta da América do Norte registrou cinco mortes, reforçando mais uma vez a reputação severa de seus 6.190 metros, onde o frio, a altitude, o isolamento e a exposição transformam qualquer erro ou mudança de condição em uma situação crítica.
O caso mais grave ocorreu com uma equipe da Letônia, formada por sete integrantes. Quatro alpinistas caíram na região entre o High Camp, por volta dos 5.240 metros, e o Denali Pass, próximo dos 5.545 metros, uma das partes mais expostas da rota West Buttress. Três morreram: Inese Pučeka, Vija Olte e Renārs Kunigs-Salaks. O quarto integrante, Mārtiņš Bilzēns, foi resgatado em estado crítico. Os demais membros da expedição permaneceram na montanha até conseguirem descer com apoio das equipes de resgate.
Poucos dias depois, o National Park Service informou que outro alpinista sofreu uma emergência médica enquanto descia do cume, por volta dos 5.700 metros de altitude. A ocorrência foi registrada durante a madrugada, depois da tentativa de cume, e as equipes iniciaram uma operação de recuperação. Até o momento, o nome do alpinista não havia sido divulgado pelas autoridades.
A quinta morte da temporada foi a da ranger Robin Pendery, de Enumclaw, Washington. Ela era uma ranger sazonal de montanhismo do National Park Service e trabalhava no Denali desde 2024, atuando em segurança de alpinistas, resposta a emergências e operações de montanha. Robin morreu após cair em uma greta nas proximidades do acampamento de 14.000 pés, durante uma patrulha de escalada. O acidente aconteceu por volta das 14h do dia 4 de junho. O socorro foi imediato, mas ela não resistiu.
O Monte McKinley costuma receber entre 1.000 e 1.200 alpinistas por temporada, principalmente entre maio e junho. A rota West Buttress é a mais utilizada, mas isso não significa que seja simples. A região do Denali Pass, também conhecida por seus trechos de gelo, exposição e risco de queda, concentra parte importante dos acidentes históricos da montanha.
A sequência de 2026 mostra como o McKinley continua sendo uma montanha de grande compromisso. Não é apenas a altitude que pesa. É o frio extremo, a latitude, o vento, a distância dos centros urbanos, a complexidade dos resgates e a necessidade de autonomia em um ambiente onde cada decisão pode ter consequências definitivas.
Em uma temporada que ainda está em andamento, as cinco mortes deixam uma marca profunda no montanhismo internacional e lembram que, mesmo em uma rota popular, o Denali permanece sendo uma montanha selvagem, isolada e implacável.
Inspirado em travessias oceânicas, tempestades, furacões, longos períodos de isolamento e decisões tomadas em ambientes extremos, o livro utiliza o mar como metáfora da condição humana.
Em uma sociedade marcada pela urgência constante, notificações e excesso de estímulos, O Custo do Depois propõe uma pausa para refletir sobre aquilo que realmente importa antes que o “depois” se torne caro demais.





