AVENTURA
Por: Cleyson Dellcorso  |  10.12.2014  •  19:01

Caráter e temperamento são mais importantes que competências técnicas para montar um time.

A grande expedição de Shackleton ocorreu em um período de turbulência política e econômica que culminou com a 1ª Guerra Mundial, portanto era fundamental que se conseguisse atingir as metas traçadas com uma expedição enxuta e com objetivos bem determinados, utilizando uma equipe eficiente e bem organizada.

A vida nas expedições polares não era para sonhadores.

Neste terceiro artigo sobre o estilo de liderança de Ernest Shackleton e sua Expedição Transantártica veremos como foi montada a equipe de cerca de trinta homens dentre os mais de cinco mil currículos recebidos. Para tanto, foi levado em consideração o que realmente importava para ele: o caráter e o comportamento de cada um. Shackleton, mesmo que empiricamente, analisava a Inteligência Emocional de cada candidato.

A experiência do “ Chefe ” mostrava que excelentes equipes são formadas em torno de um núcleo de profissionais experientes e que o primeiro cargo a ser preenchido é o de um substituto confiável, que acima de tudo, seja alinhado com a forma de conduzir a equipe. Shackleton escolheu para esta função um profissional experiente que irradiava lealdade, bom humor, honradez, ética e excelente relacionamento interpessoal.

Shackleton tem o talento, segundo o mecânico da expedição, de não dizer nada e ainda assim conseguir que as pessoas façam as coisas exatamente como ele quer.

O “ Chefe ” só admitia pessoas otimistas em sua equipe. Achava que tinham mais propensão ao espirito de equipe. Em uma conversa de convés com o meteorologista de bordo afirmou que “a lealdade se desenvolve mais facilmente em pessoas alegres do que naquelas que têm sempre um semblante grave” .

Na expedição existiam médicos, físicos, botânicos e outros cientistas além dos marinheiros, mas a bordo as qualificações estavam em segundo plano, todos exerciam atividades extras que tinham como objetivo o bem comum. Em uma das fotos recuperadas da expedição aparecem dois marinheiros e o médico lavando o salão de refeição. Em outra foto aparece o próprio Shackleton servindo as mesas durante uma refeição. E, isto não tirava sua autoridade, ao contrário aumentava o respeito que tinham por ele.

Tinha um estilo de gestão compartilhada. Nunca tomava as decisões sem consultar as pessoas que estivessem diretamente ligadas ao assunto. Muitas vezes mudou um procedimento ou um fornecedor por sugestão de um dos membros da tripulação que tinha uma solução melhor. Era um líder muito flexível e acessível.

As circunstâncias desta expedição iriam submeter a equipe a provas jamais imaginadas. Todos estiveram unidos, alegres e motivados durante cerca de dois anos até retornarem a um porto seguro. Venceram temperaturas menores que 50°C negativos, alimentaram-se de focas e pinguins, não tinham certeza de serem resgatados, mas mesmo assim nunca perderam o espírito de equipe, de auxílio mútuo e de esperança.

Se você, em algum momento de sua vida profissional, tiver a necessidade de montar uma equipe de trabalho, veja estas dez sugestões aprendidas com Ernest Shackleton:

Em um programa de Coaching de Liderança, costumo em um processo maiêutico, desafiar o meu Coachee sobre cada um destes itens, tentando tirar de seu comportamento tudo aquilo de convencional que a vida profissional lhe proporcionou, tentando resgatar no ser humano a simplicidade e autenticidade.

Até a próxima semana, quando discutiremos sobre o estilo Shackleton de buscar o comprometimento entre os membros da equipe.

Cleyson Dellcorso tem formação em engenharia e filosofia, possui MBA pela UCLA (EUA), com foco em gestão de pessoas, é especialista em liderança pelo Haggai Advanced Leadership Institute (Singapura) e instrutor do mesmo instituto. é professor de liderança e motivação no curso de pós-graduação em gestão de projetos (PMI) do Instituto Brasileiro de Tecnologia Avançada do grupo IBMEC.

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