Shackleton foi criado para ver o mundo de uma forma ampla e compreensiva, moldando assim, desde a infância o seu estilo de liderar. Sua criação fez com que assumisse o papel de protetor, tomando sempre a frente das ações para que o jogo fosse limpo e honesto. Sempre esteve adiante de seu tempo com relação a seus comandados e na maneira de tratá-los, quebrando assim os paradigmas de sua época.
Apesar do físico robusto, da enorme energia e assertividade, ele sabia também ser cuidadoso e delicado, esquecia rapidamente as fraquezas dos outros e a sua generosidade não permitia agradecimentos em troca.
Shackleton buscava seus objetivos com grande paixão.
Nesta série de artigos sobre Ernest Shackleton e seu modo de influenciar pessoas, vamos hoje analisar como se deu o desenvolvimento de sua liderança e em como busquei em seu comportamento informações valiosas que uso em processos de Coaching de Liderança.
Ao longo de sua vida profissional, antes como comandado e depois como comandante de seu navio, sempre distinguiu-se no serviço, indo muito além dos deveres básicos exigidos pelo cargo. Com sua forte característica de criatividade e inovação desenvolveu ideias próprias sobre como conduzir as atividades em um navio e como ele próprio deveria proceder, nunca deixando de observar o horizonte para que oportunidades não passassem sem serem aproveitadas.
Era autodidata e um excelente negociador, lia vorazmente e em todas as oportunidades que a vida lhe apresentou sempre esteve pronto a assumir a função sem receios, pois o conhecimento adquirido dava-lhe sempre a confiança e o senso de oportunidade necessário.
A vida no mar era difícil e endurecia os corações dos homens tornando-os imunes as emoções, mas ele nunca perdeu a compaixão pelas pessoas, principalmente aquelas que estavam doentes, infelizes ou sentindo falta de casa. Shackleton permitia-se ser feliz e isto contagiava os seus comandados, contribuindo para levantar o moral da tripulação em todos os cargos que ocupou.
Shackleton tinha certeza que o moral elevado da equipe proporcionava resultados inimagináveis e que todos os possíveis fracassos que ocorressem poderiam ser transformados em oportunidades. Seu otimismo era contagiante.
Ele tinha planos audaciosos, mas extrema cautela na execução, dando especial atenção aos detalhes. A vida o ensinou a aprender com seus erros anteriores.
O “ Chefe ” como era chamado tinha um comportamento caloroso, brincalhão e igualitário, atribuindo sempre responsabilidades e promovendo a independência. Falava sempre de maneira aberta e franca e tinha como ponto focal o bem estar dos membros de sua equipe e se ocorressem imprevistos costumava dizer: “afinal de contas, dificuldades são apenas coisas a serem superadas”.
Em meus programas de Coaching de Liderança costumo sugerir alguns aspectos que Shackleton incorporou em sua vida, que segundo jornais da época foi “ feita para comandar ”:
A dinâmica do mundo corporativo parece ter deixado de lado algumas das sugestões aqui apresentadas, mas é com grande alegria e confiança que vejo este comportamento presente nas organizações que tornaram-se “ the best place to work ” e neste final de ano, como é comum, a imprensa especializada apresenta os cases de sucesso do ano que se finda e todos sem exceção seguem por esta linha.
Até a próxima semana, quando falaremos sobre o estilo Shackleton de formar equipes de sucesso.
Cleyson Dellcorso tem formação em engenharia e filosofia, possui MBA pela UCLA (EUA), com foco em gestão de pessoas, é especialista em liderança pelo Haggai Advanced Leadership Institute (Singapura) e instrutor do mesmo instituto. é professor de liderança e motivação no curso de pós-graduação em gestão de projetos (PMI) do Instituto Brasileiro de Tecnologia Avançada do grupo IBMEC.





