AVENTURA
Por: NYTmes  |  16.03.2014  •  14:45

Quando Charlie Porter apareceu no Vale de Yosemite no início dos anos 70 e começou a abrir novas vias de escalada na imponente parede de pedra monolítica conhecida como El Capitan, ele era um típico homem misterioso, um estranho ao grupo descolado em sua maioria californianos que fizeram de Yosemite o centro da escalada do mundo.

Ele veio do leste dos Estado Unidos - nasceu em Massachusetts - e não tinha crescido no esporte como tantos outros escaladores da sua geração, mas suas habilidades pareciam de outro mundo.

Em 1972, ele e outro escalador, Gary Bocarde, estabeleceram a Shield, que se tornou talvez a mais famosa via de El Capitan. Neste mesmo ano, ele fez a primeira ascensão gravada da face sudeste da parede de El Capitan, e fez sozinho, e nomeou a via de Zodíaco. Em 1973, ele escalou a face sudeste novamente por um caminho diferente, com diferentes desafios, chamando-a de Tangerine Trip, e no verão de 1974 havia estabelecido dois outros caminhos, Mescalito e Grape Race.

Estes eram feitos de nível mundial no montanhismo, mas se o Sr. Porter, que morreu aos 63 anos no dia 23 de fevereiro, no Chile, era um mistério, então, em muitos aspectos ele continuou sendo.

Um homem reticente que não era de alardear suas conquistas e que muitas vezes partiu para a vida selvagem sozinho, sem uma câmera ou um notebook, e Yosemite foi apenas o início de uma vida aventureira que o levou a alguns dos mais remotos lugares do mundo.

Entre eles destaca-se o Monte Asgard, na ilha de Baffin, no norte do Canadá, que e escalou sozinho, e no Cabo Horn, na ponta da América do Sul, ele foi o primeiro a remar de caiaque a perigosa Passagem do Drake, entre América do Sul e Antártida.

“Eu me lembro quando perguntei isso a ele, e ele apenas disse: ‘Oh, foi muito bom. Foi um dia calmo’”, disse ao seu meio-irmão, Barnaby em uma entrevista.

Duane Raleig, editor chefe da Rock and Ice, uma revista de escalada e montanhismo, diz sobre Porter: “Provavelmente um dos grandes aventureiros do século 20. Você seria duramente pressionado para encontrar alguém do segmento outdoor como Charlie Porter”, disse Raleigh.

Na viagem a ilha de Baffin, no Canadá, Raleigh disse, "Sr. Porter, sem telefone e sem rádio, caminhou por 100 quilômetros, através de geleiras, carregando todos os seus equipamentos, e solando esta enorme parede do Monte Asgard por nove dias, chegou ao topo em meio a uma tempestade. Na volta ele ficou sem comida e ainda tinha que caminhar por 10 dias com os pés congelados até um local seguro”.

Um capitão autodidata e construtor de barcos - como também era um escalador autodidata - Sr. Porter, dedicou-se ao trabalho científico, no extremo sul do Hemisfério Ocidental por 20 anos ou mais.

Ele fez levantamentos botânicos e oceanográficos da costa sul-americana, orientando cientistas pelos labirintos dos fiordes chilenos e pelos canais no arquipélago de Terra do Fogo. Nos últimos anos, ele ajudou a conduzir estudos climatológicos - a criação de estações metereológicas e redes de monitoração de geleiras - em associação com o Instituto de Mudanças Climáticas da Universidade de Maine.

Barnaby Porter, que vive em Walpole, no estado do Maine nos Estados Unidos, confirmou a morte do seu meio-irmão Charlie Porter, em consequência de um ataque cardíaco em sua casa, em Puerto Williams, no Chile, no Canal de Beagle próximo ao Cabo Horn.

“Ele sempre alegou que tinha a casa mais ao sul do Hemisfério Ocidental”

, disse Barnaby

Charles Talbot Porter, chamado por Talby em sua família, nasceu em 12 de junho de 1950, em Nashua, Nova Hampshire, do outro lado da fronteira do estado de Pepperell, em Massachusetts, onde cresceu. Seu pai, também chamado de Charlie, foi o médico da cidade, sua mãe, Barbara Cooney, foi autora de livros infântis e escreveu e ilustrou o livro “Miss Rumphius”.

O jovem Charlie, de acordo com o seu irmão, foi um pouco solitário e que depois se entreteria com projetos excêntricos, ele uma vez construiu um túnel de vento para testar os diversos modelos de seus planadores. Ele jogou futebol americano, hóquei, beisebol como todo menino e praticou remo no colégio. Ele nunca se formou na faculdade, embora o seu irmão disse que ele poderia ter dado aulas na Universidade de Boston e no MIT. Seu interesse por montanhismo, disse Barnaby, foi catalisado após liderar o resgate de estudantes presos em Huntington Ravine em Mount Washington.

Sr Porter, viveu durante um período na casa que construiu para a sua mãe no final dos anos 70, em Walpole, era casado e se divorciou três vezes. Além de seu meio-irmão, ele deixa uma irmã, Phoebe, e uma meia-irmã, Gretel.

Barnaby Porter disse que, como um construtor de barcos, o seu irmão uma vez construiu um veleiro de aço de 32 pés, começando com um casco de aço que tinha transportado para a casa de seus pais em Massachusetts. Ele trabalhou nele em sua garagem. Então sem nenhuma experiência em vela, além de uma prática de algumas corridas em Salem e essencialmente ter aprendido sozinho, ele levou o barco de Maine até a costa leste, no Golfo do México, através do Canal do Panamá e desceu a costa do Pacífico na América do Sul até o Chile.

Em 2010, Sr. Porter foi capitão de um barco que partiu das Ilhas Falkland (Ilhas Malvinas) para um ponto remoto do Atlântico Sul, o arquipélago de Tristão da Cunha, transportando cientistas suecos que estavam realizando pesquisas do clima, a viagem de regresso ao Uruguai durou 33 dias através de mares revoltos. O líder da expedição, Svante Bjorck, geólogo da Universidade de Lund, estava a caminho para o sul do Chile no mês passado para trabalhar com o Sr. Porter novamente - quando recebeu a notícia de sua morte.

“A presença de Charlie aqui é tão óbvia que ele tem estado na minha mente durante toda expedição”, escreveu em um email, Bjorck direto do Canal de Beagle. “Seu entusiasmo e inspiração tem sido vital. Acho que agora seremos capazes de reconstruir detalhes do nível do mar aqui que é completamente novo para esta região, o lugar favorito de Charlie na terra. Então, vamos, é claro, dedicar esses estudos a Charlie e em sua memória.”

comentários
LIVROS

COMPRE AGORA

Elias Luiz possui um estilo de escrita singular, proporcionando aos leitores a sensação de fazerem parte da aventura enquanto percorrem as páginas do livro. Repleto de reflexões sobre a vida moderna e superação, apresentando a experiência única de viver um grande aventura em meio à natureza. As obras são enriquecidas com fotos e mapas que estimulam a imaginação do leitor. É impossível mergulhar na leitura sem sentir o desejo de colocar uma mochila nas costas e vivenciar sua própria jornada. Boa leitura e boas aventuras!

 

R$ 79 / frete grátis
  • 340 páginas
  • 70 fotos
  • 23 mapas

Suíça e Liechtenstein

(2 reviews)

Elias Luiz percorreu 390 km pela Via Alpina, atravessando a Suíça de Vaduz a Montreux, superando 23.500 metros de altimetria e transformando essa jornada em seu novo livro de aventura.

R$ 79 / frete grátis
  • 324 páginas
  • 70 fotos
  • 29 mapas

Argentina e Chile

(881 reviews)

Elias Luiz percorreu trilhas de longa distância em Bariloche, diversos roteiros em El Chaltén, o magnífico Circuito O em Torres del Paine e o Circuito Dientes de Navarino em Puerto Williams.

R$ 79 / frete grátis
  • 276 páginas
  • 75 fotos
  • 20 mapas

Nepal e Tibet

(917 reviews)

O trekking ao Campo Base do Everest é a trilha mais desejada por todo aventureiro e Elias Luiz relata a sua grande jornada pelo Nepal e também pelo Tibet, passando pela face norte.

R$ 79 / frete grátis
  • 320 páginas
  • 60 fotos
  • 1 mapa

Canadá

(722 reviews)

A Great Divide Trail, com seus 1.100 km é uma das trilhas mais inóspitas, difíceis e bonitas do planeta. Embarque junto com Elias Luiz e Daiane Luise nessa aventura repleta de ursos.

R$ 79 / frete grátis
  • 272 páginas
  • 66 fotos
  • 1 mapa

Suécia e Noruega

(793 reviews)

Você está prestes a conhecer uma das regiões mais selvagens da Europa, na Lapônia, acima do Círculo Polar Ártico, repleta de ursos, lobos, renas e a magistral Aurora Boreal.

R$ 55 / eBook
  • 300 páginas
  • 60 fotos
  • 12 mapas

França, Itália e Suíça

(3.728 reviews)

Para você que sonha em colocar a mochila nas costas e fazer uma viagem de aventura, este livro será uma grande inspiração. Elias Luiz narra a sua aventura pelos Alpes.

Se você sonha em fazer uma caminhada de longa distância, aproveite o roteiro oferecido por Elias Luiz, onde ele refaz a trilha original do seu livro Tour du Mont Blanc. Serão 170 km em 11 dias de caminhada e dias de descanso na charmosa Chamonix e em Courmayeur. Viva essa experiência!



O MELHOR DO TMB

Passeios inclusos para o Mer de Glace e Aiguille du Midi.

BAGAGEM

Transporte de bagagem incluso. Você caminhará leve.

OFERTA ESPECIAL

€ 4.290,00 dividido em 3 parcelas o trecho terrestre.

DEPOIMENTOS

"Gostaria de registrar o carinho e capricho que tens com os leitores. Como sou leitor das antigas prefiro o livro impresso! Ainda fico ansioso pela chegada de um novo livro. O teu vai além de um "simples" livro. Tem qualidade, interatividade, arte, uma fotografia fantástica e uma ótima e envolvente história. Obrigado por me inspirar a buscar cada vez mais a 'Waldeinsamkeit' .
Alles Gutes für dich!"

Rafael SilvaLeitor de Rocky Mountains

"Adorei Elias! Senti emoção, medo, achei que você é maluco, senti saudades, fiquei com vontade de fazer a trilha, e no final desisti… mas não de fazer trilhas tá! Só desse final perigoso! Parabéns pelo livro, pela coragem e determinação! Parabéns por nos inspirar, por fazer olhar o mundo de diferentes formas. Por nos mostrar que devemos sair da rotina, sentir a natureza, viajar… e o que mais precisamos é ter um coração em paz e bons amigos!"

Kelly Cardelli Leitora de Patagonia

"Obrigada Elias, o livro é sensacional! A riqueza de detalhes impressiona, devorei o livro ontem a noite, em muitos momentos me emocionei e me senti caminhando contigo a cada parágrafo que ia lendo. Você conseguiu passar a emoção vivida, e isso é sensacional pra nós leitores! Não vejo a hora de estar lá!"

Anelize Damy Leitora de Tour du Mont Blanc

"Completar o TMB com o Extremos foi uma experiência incrível. Uma trilha desafiadora pelo desnível, mas que te recompensa sempre com paisagens deslumbrantes, natureza preservada, sabores, sons e água pura. Passamos por três países, cidades, vilarejos, refúgios aconchegantes, florestas e fazendas, sempre com a montanha por perto nos mostrando sua grandiosidade e beleza. Uma imersão intensa na cultura alpina e no espírito de união entre os hikers que encontramos na trilha.

Marcos Ribeiro Hiker do TMB