AVENTURA
Por: Elias Luiz  |  30.12.2011  •  18:00

Começamos a caminhada por volta das 17 horas e chegamos no camping Serón mais ou menos às 23 horas, junto com o pôr do Sol. O esforço desse dia nos deixou bem cansados e com a certeza de que não deveríamos ter começado a caminhar tão tarde.

No dia 29 acordamos tarde e fizemos questão de fazermos tudo bem devagar, sem pressa. Tomamos um café da manhã reforçado e saímos às 13 horas rumo ao refúgio Dickson. Após 2 horas e meia de caminhada, depois do lago Paine; onde encaramos um vento muito forte; encontramos um pequeno bosque e paramos ali por 50 minutos para o almoço. Umas 3 horas depois, paramos novamente para tomarmos café. Foi muito legal e diferente essa dinâmica de parar pouco e quando parar, em vez de lanchar barrinhas de cereais, fazer um almoço leve.

Chegamos no refúgio Dickson umas 21 horas sob um vento forte e fomos informados que o acampamento Los Perros estava fechado mas que poderíamos fazer um bate-e-volta sem problemas. Como passamos a ter muito tempo disponível, já que não poderíamos fazer o circuito completo, resolvemos tirar o dia seguinte de folga e deixar o bate-e-volta em Los Perros para o dia 31. Nós passaríamos o reveillon no Refúgio Dickson e voltaríamos para Serón no primeiro dia de 2012. Decidimos montar as barracas bem próximas uma das outras de modo que elas se protegessem mutuamente contra o vento. A minha barraca foi montada por último com a ajuda do Fábio e da Letícia. Quando terminamos, deu tempo apenas de eu colocar a minha mochila dentro da barraca e uma rajada de vento mais forte simplesmente a achatou contra o chão, quebrando a estrutura de alumínio e rasgando o cobre-teto! Acabei conseguindo acomodação no refúgio por $ 10.000 Pesos. Havia também barracas para alugar por $ 7.000 Pesos mas achei que a diferença de preço não fazia isso valer a pena. Acabou sendo uma noite agradável... Fábio, Letícia Gilmar e Alessandra foram para o refúgio e jantamos sanduíches de carne bem legais com cerveja Austral. Eu bebi umas 4 latinhas de cerveja... gostei muito! Depois que a turma voltou para as barracas eu ainda fiquei bebendo no refúgio até 1 hora da manhã na companhia de um grupo de trekkers chilenos.

Quando a gente olhava para as montanhas na direção das Torres, víamos as nuvens coloridas pelas chamas que consumiam a vegetação do parque. Um espetáculo muito triste.

Na manha seguinte, dia 30, acordei disposto a não fazer nada além de curtir a folga da caminhada. Afinal, já havíamos andado mais de 36km e as mochilas estavam bem pesadas! Quando saí do refúgio para tomar o café da manhã com os amigos que estavam acampados, fui abordado por um guarda que me disse que o parque estava fechado; que estava sendo evacuado e que deveríamos partir também. Segundo ele, os acampamentos Los Perros e Serón já estavam fechados e o Dickson seria fechado em breve também. Nesse momento a minha maior preocupação era arrumar acomodação para dormir quando chegássemos em Serón, já que eu não tinha barraca e também já não poderia contar com a possibilidade de alugar uma barraca do acampamento! As barracas que os meus amigos estavam levando eram para uma pessoa, com conforto. Enfiar 3 pessoas numa barraca dessas seria um problema, mas parecia a única opção. Comida também era um problema, já que nos preparamos para comprar os alimentos nos refúgios e campings por onde passaríamos. Conosco, levávamos apenas uma quantidade pequena para emergências.

Arrumamos tudo e saímos de Dickson às 13h15. Naquela altura, com o corpo mais acostumado ao exercício, a caminhada parecia mais fácil para todos. A não ser na parte da trilha próxima ao mirador do Lago Paine. O vento, que já estava forte no dia anterior, nesse dia parecia estar com o dobro da força. A Alessandra estava caminhando bem a frente do grupo, depois seguíamos eu e o Gilmar e bem mais atrás, o Fábio e a Letícia. O vento era tão forte que eu só conseguia seguir muito devagar, de costas para uma pirambeira de 150 metros que terminava no lago e forçando os bastões de caminhada contra um paredão de rocha que se estendia por boa parte do lado direito da trilha. Em um certo momento resolvi arriscar uma caminhada mais rápida de frente para a trilha e o vento me empurrou contra a rocha me fazendo subir uns 2 metros no paredao. Quase pirei tentando descer dali antes que o vento desse uma trégua e eu desabasse. Parecia um skatista em um halfpipe. Depois o Fábio me contou que passou pela mesma situação naquele ponto... Continuei caminhando com muita dificuldade. O barulho do vento era muito alto e a força dele fazia a mochila zunir ao mesmo tempo que eu era praticamente açoitado pelas fivelas da mochila. Posso dizer que "entrei na porrada"! Em um dado momento passei pelo Gilmar caído no chão. Ele havia se jogado atrás de um arbusto grande para tentar não ser lançado montanha abaixo. Seguimos juntos, caminhando um pouco mais e finalmente conseguimos sair daquele inferno. Esperamos uns 15 minutos pelo Fábio e pela Letícia. Preocupados, resolvemos voltar para socorrê-los caso fosse necessário. Não conseguimos! Em um determinado ponto de uma curva parecia que havia uma parede de vento que nos impedia de seguir. Ficamos aliviados quando pouco depois os dois apareceram e saíram do vento.

Chegamos ao camping Serón às 20h45 e era possível avistar a fumaça do incêndio ao longe.

Achei estranho ter gente dentro da administração do camping, já que ele deveria estar fechado. Quando entrei, encontrei uma família de 12 montanhistas chilenos com os quais eu havia feito amizade no dia anterior. Eles estavam fazendo o trekking sem barraca, já que o parque quando não oferece refúgio, dispõem de barracas para alugar. Com o camping fechado, eles ficaram "sem teto", na mesma situação que eu, e forçaram uma das portas em busca de abrigo. Sabendo da minha situação, eles pegaram uma das barracas do parque e me emprestaram para que eu passasse aquela noite. No dia seguinte eu devolvi a barraca arrumada e limpa. Os chilenos haviam dado uma boa faxina no local e arrumado tudo. Partimos todos juntos e umas 13h já estávamos na Laguna Amarga esperando pelo ônibus que nos levaria à Puerto Natales.

Apesar de não termos conseguido fazer o circuito completo e o "W", como havíamos planejado, ficamos bem e posso dizer que valeu a pena. A única e grande tristeza ficou por conta de ver tamanho patrimônio natural sendo queimado pela irresponsabilidade de um idiota que resolveu queimar o seu papel higiênico para não ter que carregá-lo!

O que queremos agora é voltar aqui depois de algum tempo e encontrar tudo recuperado.

BRASIL, 30 dez 2011 - 18:00 - O incêndio florestal no parque nacional de Torres del Paine, na Patagônia chilena, prossegue sem controle e já consumiu 8,5 mil hectares de mata nativa, informou nesta sexta-feira o Escritório Nacional de Emergência (Onemi). O fogo teve início na tarde de terça-feira no setor do lago Grey, no norte das Torres del Paine, um imponente grupo de montanhas visitadas todos os anos por milhares de turistas. O rápido avanço das chamas obrigou as autoridades a fecharem as portas do parque. Estão previstos fortes ventos para esta sexta-feira. O Parque Nacional Torres del Paine tem uma superfície de 230 mil hectares.

Partimos de Puerto Natales para o Parque Torres del Paine no dia 28 de dezembro e chegamos na entrada do parque, Guardaria Laguna Amarga às 16h25, após quase 2 horas de ônibus. Assim que chegamos fomos avisados por um guarda que o circuito estava fechado devido a um incêndio e que só poderíamos seguir até o refúgio Grey. Resolvemos iniciar assim mesmo o trekking, acreditando que em 2 ou 3 dias a passagem já estaria liberada e que o pior que poderia acontecer seria termos que voltar tudo caso o incêndio continuasse.

"Infelizmente, o Parque Torres del Paine está sofrendo o maior incêndio dos últimos tempos. Refúgios e campings foram fechados. Tivemos que abandonar o trekking, voltando ao refúgio Dickson. Estamos todos bem, de volta a Puerto Natales. Aproveito para deixar meus votos de um Feliz 2012" - Fabio Fliess

A Polícia chilena deteve neste sábado um israelense acusado de provocar, por negligência, o incêndio no parque nacional Torres del Paine, na Patagônia chilena, que já consumiu 11.500 hectares. "Trata-se de um homem de nacionalidade israelense", informou o promotor Juan Melendez à rádio Cooperativa, confirmando a detenção, nas últimas horas, de um jovem de 23 anos.



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