Seja no norte ou no sul, as latitudes elevadas têm uma certa semelhança. As árvores desaparecem e os habitantes parecem ter a necessidade de pintar suas casas ou telhados em tecnicolor, estejam eles a 52 graus ao sul, em Stanley, nas Ilhas Falklands (ou Maldivas), ou a 62 graus ao norte, em Tórshavn, nas ilhas Faroë (situadas entre o Mar da Noruega e o Oceano Atlântico Norte). As Faroë foram o destino de minha mais recente excursão à terra do sol da meia-noite. De algum modo, este é um fenômeno superestimado. Você vai para a cama tarde porque ainda está claro, acorda cedo porque o sol aparece antes mesmo de morrer e, entre uma coisa e outra, não dorme bem porque a luz do dia é forte às três da manhã.
As Faroë não são ruins apenas para os insones - os claustrofóbicos também têm problemas. As estradas das ilhas são repletas de túneis, alguns dos quais escuros e terrivelmente estreitos. Os ilhéus lidam com isso apertando o pé no pedal assim que entram nos túneis e esquecendo os limites de velocidade até saírem como foguetes do outro lado.
Você tem também inúmeras oportunidades de sentir acrofobia - medo de altura - uma vez que todas as caminhadas pelas ilhas terminam a beira de um penhasco de onde você poderia mergulhar verticalmente no mar, que as vezes está 300 metros abaixo. Na queda, você terá tempo para admirar a abundância de pássaros, em particular os graciosos papagaios-do-mar. Fiquei surpreso ao descobrir como eles são pequenos, embora ao fazerem sua manobra de subir na corrente de ar pareçam uma versão gigante do beija-flor.
As Ilhas Falkland têm apenas uma povoação de verdade: a capital, Stanley. E a cidade é tão colorida quanto Tórshavn. Seus binóculos serão igualmente úteis para observar os pássaros, embora grande parte da fauna selvagem da ilha seja grande e estática o bastante para tornar os binóculos redundantes. As foca-elefantes fazem jus ao nome, e os inúmeros pinguins tendem tendem a ficar por perto e a esperar você se aproximar para admirá-los. Pessoas que visitam pela primeira vez a Antártica geralmente querem fazer contato com a história e a exploração do lugar, e saborear a sensação de pôr os pés no sétimo continente. Já quem faz a sua segunda visita geralmente segue para a Geórgia do Sul. Com picos recortados se erguendo sobre o Oceano Antártico, as ruínas esquecidas das estações norueguesas de pesca de baleia, a emocionante saga da heróica viagem de Sir Ernest Shackleton, explorador da Antártida, e ainda uma enorme quantidade de focas mal-humoradas e pinguíns-reis imaculadamente vestidos, este é um dos destinos mais espetaculares do planeta.
Tony Wheeler fundou a Lonely Planet com sua esposa, Maureen, em 1973.
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