Levando a Bandeira do Brasil ao alto das maiores montanhas do mundo! 1988-2008 / 20 anos
Estimados Amigos!
Em dia 18 de fevereiro, completei 20 anos dedicados a levar a Bandeira do Brasil ao alto das maiores montanhas do mundo! Minha relação com as montanhas começou bem antes, quando em 1982 subi pela primeira vez o Pico do Marumbi, mas foi de fato em 1988 que tive o impulso de me tornar um “alpinista profissional”.
Foi no dia 18 de fevereiro de 1988 que escalei a minha primeira grande montanha, o Aconcágua (6.959m), na Argentina. Chegar no alto da maior montanha das Américas não foi nada fácil, havia sete dias que ninguém alcançava o seu ponto mais alto, devido a violentas tempestades e a grande quantidade de neve acumulada.
Eu fazia parte de uma equipe do Clube Paranaense de Montanhismo, e, como eu, meus colegas não conheciam bem o ambiente de alta montanha, assim observávamos com atenção os alpinistas de outros países, mais experientes, para ver que decisão iriam tomar. Lembro que dias antes, após uma tentativa frustrada de chegar ao cume, havia retornado ao acampamento-base um grupo desses alpinistas, todos bem abatidos, e eu, com a minha ingenuidade de principiante, fui logo perguntado por que não haviam conseguido chegar no topo do Aconcágua. Lembro-me que um daqueles alpinistas se chamava Fernando Diby, era argentino, e me disse: “Nenhuma montanha vale a vida de um homem, nem mesmo a de um dedo amputado em razão de um provável congelamento”. Imaginei o sofrimento que aqueles homens haviam acabado de passar, e nunca mais esqueci a frase que o Fernando havia me dito.
Três dias depois, sozinho, afundando-me na neve até a altura do joelho, cheguei no alto do Aconcágua! Uma emoção logo me surpreendeu e eu comecei a chorar! Embora tentasse parar de chorar, não conseguia! Sentia uma felicidade e uma sensação de realização que nunca havia sentido, então logo comecei a me questionar: o que está acontecendo comigo, como uma montanha pode me levar a ter sensações tão intensas?!
Este dia mudou a minha vida! Passei a ser um peregrino da montanha, a buscar Deus e a mim mesmo em suas entranhas! Posso-lhes dizer, seguramente, ainda mais depois de 20 anos, que descobri nas montanhas muito mais do que eu esperava. Descobri o valor de uma verdadeira amizade, a maravilha da natureza intocada, a humildade do povo que habita suas encostas, a nossa insignificância diante de Sua majestosa grandeza!
Também foram 20 anos de muito orgulho por levar a Bandeira do Brasil ao alto de mais de 100 grandes montanhas! Que privilégio eu pude ter! Que honra! Levar a bandeira do meu País a tremular nas alturas aonde ela nunca havia estado antes!
Escalar montanhas como o Everest, o K2, os Sete Cumes, a Trango Tower, e tantas outras nas principais cordilheiras do mundo, não é nada fácil, ainda mais para um brasileiro, pois naturalmente o ar rarefeito, a neve e o gelo, não fazem parte da nossa paisagem. Outra grande dificuldade que tive que enfrentar foi a falta de apoio, no Brasil o esporte infelizmente não é encarado como algo fundamental para a nossa sociedade, os destaques acontecem, mas quase sempre em razão do esforço pessoal do atleta. O governo se limita a fomentar o esporte apenas às vésperas de competições, como o Pan ou as Olimpíadas, as empresas privadas seguem a mesma linha ou investem fortunas exorbitantes no futebol, que sim, nos traz muita alegria, mas que ultimamente é mais um jogo de interesses do que amor ao esporte.
Depois de tantos anos, vibrando com cada conquista que conseguia trazer ao Brasil, estive a ponto de abandonar as grandes expedições pela falta de apoio. Com todo o meu currículo, e mesmo tendo escalado o Everest pela segunda vez, em 2005, acabei ficando sem patrocínio em 2006 e 2007, anos em que escalei as maiores montanhas da Nova Zelândia e Groenlândia, e feito uma tentativa de escalar o Makalu, graças ao dinheiro que ganhei realizando palestras motivacionais para empresas.
Felizmente meus livros acabaram impressionando muitos leitores, Everest, o diário de uma vitória, e o recente lançamento de Um sonho chamado K2, levaram ao público a certeza de que o alpinismo é muito mais do que escalar montanhas. O mesmo acontece com o público que toda a semana assiste alguma de minhas palestras, acabo sendo visto como um exemplo de sucesso, de disciplina, de determinação, de amor à vida, ao esporte e ao Brasil.
Foram os meus livros e as palestras que abriram as portas de grandes empresas, e assim viabilizaram o patrocínio para a maioria das minhas expedições. Portanto gostaria de registrar a minha grande gratidão aos meus leitores, as empresas que me contrataram para as palestras, e a cada uma das empresas que já me patrocinaram, sem vocês eu não teria conseguido escalar nem mesmo uma das grandes montanhas que já escalei!
Pois bem, 20 anos dedicados a escalar montanhas pelo mundo merecem uma boa comemoração, e nenhuma delas seria melhor do que escalar um monte de montanhas. Acabei de voltar com o meu caminhão Andino de uma bela expedição a Patagônia, em dezembro e janeiro escalei uma série de montanhas na região de Bariloche e El Chalten (veja como foi esta expedição clicando nos links abaixo).
A próxima expedição, e o ponto alto das comemorações dos meus “20 anos” será uma nova investida ao Makalu (8.463m). Ano passado eu e o Irivan Gustavo Burda, querido amigo e grande companheiro de expedições, chegamos até os 7.800m desta que é a 5ª maior montanha do mundo (fica a 20Km a leste do Everest, na fronteira do Nepal com a China).
Este ano, graças ao patrocínio da Santher (fábrica de papéis www.santher.com.br) e da Omni Financeira (www.omni.com.br), além do apoio da Air France (www.airfrance.com.br), já temos o início da expedição confirmada para o dia 30 de março (a Expedição Brasil Makalu acontecerá em abril e maio, primavera, época mais propícia para as escaladas no Himalaia).
Quem sabe, no segundo semestre, retomo a realização do Mundo Andino, meu maior sonho como projeto, com o objetivo de escalar mais de 100 montanhas da Terra do Fogo ao Caribe, e realizar uma série de ações sócio-educacionais na ânsia de levar uma melhor condição de vida às comunidades andinas. Só depende de patrocínio. Veja www.mundoandino.com.br.
O que eu mais desejo no alpinismo não é a imprescindível vitória sobre um cume ou rota difícil, mas sim o imenso prazer de desfrutar, durante toda a vida, da grandiosidade e beleza do mundo das montanhas!
Muito obrigado pela parceria! Estamos escalando montanhas, juntos, há 20 anos!!!
Sincero abraço,
Waldemar Niclevicz





