O montanhista italo-argentino Rolando Garibotti e o americano Haley realizaram a primeira travessia da Aguja Standhardt, Punta Herron, Torre Egger e Cerro Torre, um dos mais cobiçados projetos na Patagônia.
Finalmente foi concretizado o antigo sonho da Travessia das Torres, realizado por Rolando Garibotti e Colin Haley entre os dias 21 e 24 de janeiro de 2008, ligando os quatro principais picos no Cerro Torre, em El Chálten na Argentina.
Rolando (o Rolo), é argentino com origens italianas e é sobretudo conhecido pela sua grande experiência na Patagônia, por sua bravura, seu histórico de pesquisas do alpinismo no fim do mundo e também por sua ética ao esporte.
Colin Haley, 23 anos, é um estudante americano que optou por um período de 6 meses de férias da Universidade em favor de seu projeto na Patagônia. Sua escolha provou ser muito sábia: pois realizaram algo que parecia um sonho impossível. Essa travessia já havia sido tentada nos últimos 20 anos por Ermanno Salvaterra, Andrea Sarchi, Maurizio Giarolli, e Elio Orlandi , e nunca havia sido concluída.
Apenas dois meses atrás Ermanno Salvaterra, Alessandro Beltrami, Mirko Masè e Fabio Salvadei tentaram a travessia, mas o mal tempo obrigou os montanhistas a desistirem.
A Travessia das Torres de norte a sul, composta pelos picos Aguja Standhart, Punta Herron, Torre Egger e Cerro Torre, com cerca de 2.200 metros de ganho vertical. Esta é a travessia que os italianos Andrea Sarchi, Maurizio Giarollo, Elio Ermanno orlandi e Salvaterra tentaram em várias ocasiões no fim dos anos 80 e início dos anos 90.
Em 1991 Salvaterra, juntamente com Adriano Cavallaro e Ferruccio Vidi, conseguiram subir o Punta Herron, completando o que é provavelmente a primeira ascensão do pico. Salvaterra subiu o Herron atrvés de uma nova rota ao norte,a chamada linha Spigolo dei Bimbi.
No início de 2005, o alemão Thomas Huber, juntamente com a suíça Andi Schnarf completaram a travessia do Standhardt para o Egger. Onde de início eles pretendiam apenas escalar o Standhardt via “Festerville”, que após chegar ao cume dicidiram continuar em direção ao Egger, onde em movimentos rápidos completaram a travessia em 38 horas e desceram o Egger através da via “Titanic”.
No final de 2005, Salvaterra, juntamente com Alessandro Beltrami, e Rolando Garibotti, resolveram o último e remanescente enigma da travessia qaundo escalou o Cerro Torre na face norte através de uma nova rota, “Arca de Los Vientos.”Com um percurso finalmente concluído a partir do Col da Conquista ao cume do Cerro Torre, Salvaterra retornou em 2006 com Beltrami e Garibotti e tentaram a travessia mais uma vez, mas o mau tempo impediu-o de chegar mais longe do que o Standhardt.
Salvaterra voltou em 2007 com Beltrami, Mirko Masse e Fabio Salvodei. Nesta tentativa que escalaram o Standhardt via pela via Ötra vez”, e continuou a subir o Herron e Egger. Eles desciam para o sul, via Col da Conquista. e subiram um arremesso no Cerro Torre antes de recuarem. Durante esse mesmo período de bom tempo, garibotti, juntamente com Hans Johnstone, começaram a percorrer o Standhardt via “Festerville”. Eles escalaram o Herron e o Egger, e continuaram pelo Col de Conquista, completando metade da porção superior do Cerro Torre, antes de serem atingidos por uma forte geada.
Garibotti, tendo já feito todas as peças da travessia decidiu ficar em El Chalten para uma última tentativa no final da temporada. Ele convidou uma série de outros, incluindo Bruce Miller e Bean Bowers, mas ela não aceitou pois aguardava uma janela melhor de bom tempo. Haley que trancou seus estudos por seis meses, estava disposta a ficar mais tempo na Patagonia, onde no ano anterior tinha completado o primeiro elo da travessia com Kelly Cordes.
No início deste ano, 2008, Alex e Thomas Huber, juntamente com o suiço Stephan Siegrist chegaram em El Chalten, também com a esperança de tentar a travessia. Em 21 de janeiro, mesmo com a má condição do tempo, o que é natural da Patagonia, Garibotti e Haley começaram a travessia, enquanto Hubers e Siegrist decidiram esperar uma janela melhor.
Haley e Garibotti subiram o Standhardt via “Exocet”, atingindo o ápice rapidamente em meio dia, depois rapelaram ao Col dei Sogni entre Standhardt e o Herron. Subindo “Spigolo dei Bimbi” eles encontraram gelo nas rochas, por isso foram obrigados a subir em zig-zag. O tempo estava ruim, com muito vento e acúmulos de neve abaixo do Herron. Em 22 de janeiro, em perfeitas condições meteorológicas, mesmo sentindo cansaço, devido a intoxicação por monóxido de carbono, dentro de seus sacos de dormir, eles continuaram em a travessia do Herron ao Egger para chegar ao Cerro Torre. Na face norte do Egger também foram obrigados a subir em variações para evitar os acúmulos de neve na rocha. As boas condições do tempo trouxe as altas temperaturas, atingindo-os no Col da Conquista e foram obrigados a encontrar um lugar para se esconder das quedas de gelo e pararam para dormir em torno das 17h sobre uma proa da rocha. Na manhã seguinte, 23 de janeiro, houve uma agradável surpresa quando descobriram que o acúmulo de neve que havia impedido a progressão de Garigotti e Johnstone dois meses atrás, havia caidoe a passagem estava livre. Haley e Gariboti encontraram na parte superior da “Arca” piores condições que Gabirotti tinha deparado, em 2005, e foram obrigados a limpar muito gelo das fissuras. Garibotti foi forçado a colocar um parafuso em um ponto crucial para um pêndulo e assim evitar quedas de gelo. Cansados dos últimos dois dias chegar a face norte do Cerro Torre as 17h, e aqui pararam o final do arremesso do da via “Ferrari” na rota oeste do cume. Eles escalaram dois arremessos através de túneis do gelo encravado na rocha., para atingir a base do último arremesso, famoso por ser bloqueado muitos alpinistas. Haley e Garibotti, consideraram essa parte a mais difícil que já haviam encontrado. Este último passo é escalado cavando trincheiras verticais através da geada, pois nessa temporada ninguém havia chegado a esse ponto e encontraram 50 metros de acúmulo de gel na rocha. Haley tentou continuar durante a noite, cavando 30 pés, a metade do tubo a uma hora do nasce do sol. Sob uma lua cheia eles dormiram logo abaixo do Cume da Torre. Depois de uma longa noite, eles atacaram o campo novamente, cavando um túnel de 20 metros no interior do “cogumelo” de neve e sairam para terminar em um túnel formado naturalmente.
Ao meio-dia, em 24 de janeiro, eles atingiram o cume do Cerro Torre, completando a primeira subida da grande Travessia das Torres. Após um breve descanso, desceram pela “Rota Compressor”, pelo lado sudeste do Cerro Torre. Para obter o máximo de eficiência, haley e Garibotti dividiram as tarefas em suas habilidades, Haley liderando nas geleiras e Garibott na rocha.
Embora o sucesso da Travessia das Torres foi fugaz, pois a estratégia e as dificuldades meteorológicas segundo Gabirotti. envolve pouca escalada com dificuldades acima de 5,11 e A1. Garibotti considera que o futuro do alpinismo na Patagonia, não está na dificuldade em graus e em movimentos, mas talvez no estilo alpino que é utilizado desde a década de 80, por Silvo Karo e Janez Jeglic do Cerro Torre a sua face do oriente.
Haley mesmo sentindo-se mal por atrasar os seus estudos, Gabirotti disse que ouviu o montanhista dizer no bivac da Torre - “A Travessia das Torres é a melhor maneira de aprender ao ar livre, do que estudar em casa.
Em grande agradecimento vai para “il Maestro”, a Ermanno Salvaterra, pela idéia e inspiração e por prosseguir durante 20 anos e mostrando o caminho certo...





