A escalada do Everest foi, a tempos, o derradeiro desafio da Terra. Enquanto alpinistas sonham em chegar ao cume uma única vez, os sherpas fazem disso o seu trabalho.
Em 1996 a comunidade de alpinistas receberam a notícia de que um lendário Sherpa - Ang Rita - tinha feito a 10a escalada ao Everest.
Sua conquista foi só o começo. Nos anos posteriores muitas Sherpas alcancaram o seu recorde: Apa (99); Babu (00); Chuwang Nima (03); Lhakpa Gelu (03); Mingma Tshering (04); Nga Temba (04); Nima Gombu (04); Big Dorje (04); Tashi Tshering (04); Chuldim Ang Dorje (04); Lama Jangbu (05); Phurba Tashi (06); Kami Rita (06); e Lhakpa Rita (07).
A quebra de um recorde abre brecha para a quebra de um novo recorde. O Sherpa Apa tornou-se a principal atenção em prosseguir para o próximo desafio - conquistar o cume do Everest 20 vezes. A corrida para a quebra desse recorde parece estar em suas mãos, sendo que hoje possui 17 ascensões, 3 vezes a frente que seu mais próximo concorrente, o Sherpa Chwang Nima, com 14.
Mas neste momento, é mais provável que Phurba Tashi se torne o primeiro a conquistar 20 vezes o Everest, pois na última temporada chegou ao cume 3 vezes. A primeira no dia 30 de abril, a segunda no dia 15 de maio e a terceira em 14 de junho, sempre a trabalho de outras expedições.
Muito provavelmente neste ano de 2008 ou mais tardar em 2009 receberemos a espantosa notícia de 20 cumes do Everest feitas por uma única pessoa, e só podia ser deles, os reis do Everest, os Sherpa.
SAIBA MAIS - Os Xerpas , mais conhecidos como Sherpas, são uma etnia da região mais montanhosa do Nepal, no alto dos Himalaias. Na China, eles são conhecidos como Xiaerba, apesar de o governo chinês classificá-los como membros do povo tibetano. Na língua xerpa, shyar significa "leste"; pa é o sufixo significando 'povo': daí a palavra shyarpa ou xerpa. Nos anos recentes, muitos xerpas migraram para a Índia.
Território nativo
A maioria dos xerpas vive nas regiões orientais do Nepal: Solu, Khumbu ou Pharak. No entanto, alguns vivem mais a oeste, no vale Rolwaling e na região de Helambu, ao norte de Katmandu. Pangboche é a mais antiga vila xerpa do Nepal, e acredita-se ter sido construída há mais de 300 anos. Os xerpas falam sua língua própria, que se assemelha a um dialeto do tibetano. Eles são por tradição comerciantes e fazendeiros, cultivando seus campos de batatas, cevada e trigo. Alguns vivem perto de Namche Bazaar. Os Jirels, povo originário de Jiri, têm parentesco étnico com os xerpas. Diz-se que os Jirels são descendentes de uma mãe xerpa e de um pai Sunuwar (outro grupo étnico da parte oriental do Nepal. Na Índia, os xerpas também vivem nas cidades de Darjeeling e Kalimpong, bem como no Estado indiano de Sikkim.
Tradicionalmente (embora não seja seguido sempre), os nomes dos homens xerpa refletem freqüentemente o dia da semana em que nasceram:
Xerpas e Montanhismo
Os xerpas foram de um valor incomensurável para os primeiros exploradores da região do Himalaia, servindo de guias e carregadores nas altitudes extremas dos picos e passos da região. Hoje em dia, o termo foi estendido para se aplicar a praticamente qualquer guia ou carregador empregado pelas expedições que se aventuram pelo Himalaia. No entanto, no Nepal, os xerpas insistem freqüentemente em fazer uma distinção entre eles mesmos e os carregadores normais, já que eles têm também um papel de guias e reclamam salários mais elevados e maior respeito da comunidade. É freqüente ver-se o termo genérico "xerpa", significando "guia", escrito em minúsculas, em contraste com o termo "Xerpa", com inicial maiúscula, significando o grupo étnico (em língua inglesa).
Os xerpas são conhecidos no mundo da montanha e da escalada por sua resistência, conhecimento e experiência em altas altitudes. Eles ganharam tal reputação principalmente porque, apesar do valor de seus serviços, o pagamento é insuficiente para muitos deles comprarem os modernos apetrechos de escalada utilizados pelos alpinistas ocidentais. Muitos especularam que parte da capacidade extraordinária dos xerpas para o alpinismo deve-se a uma capacidade pulmonar superior adquirida geneticamente, permitindo um desempenho bem melhor a altas altitudes. Também sugeriu-se que uma das razões pelas quais eles eram largamente empregados como carregadores deve-se ao fato de terem menos restrições dietéticas do que as outras etnias da região, e estavam preparados para comer qualquer coisa que lhes fosse dada a comer durante as expedições.
Historicamente, o xerpa mais famoso é Tenzing Norgay, que escalou o monte Everest com Edmund Hillary pela primeira vez em 1953.
Dois xerpas, Pemba Dorjie e Lhakpa Gelu, competiram recentemente para determinar quem conseguiria escalar o Everest mais rapidamente. Em 23 de maio de 2003, Dorji alcançou o topo em doze horas e 46 minutos. Três dias depois, Gelu bateu esse recorde de duas horas, alcançando o pico em dez horas e 46 minutos. Em 21 de maio de 2004, Dorjie novamente melhorou a marca em mais de duas horas, com um tempo total de oito horas e dez minutos. Este feito pode ser considerado como uma das maiores façanhas da história do alpinismo.





