Em 2007 o Air Race teve uma de suas etapas realizada no Rio de Janeiro
É difícil imaginar como a temporada 2007 do Red Bull Air Race World Series poderia ter sido mais emocionante. Foi um ano repleto de corridas acirradas, inúmeras dificuldades, em uma disputa impressionante que não se decidiu até a última corrida da temporada - além das novas caras surgindo na elite do Air Race para desafiar, e às vezes até abalar, a hierarquia estabelecida.
O americano Mike Mangold (Equipe Cobra) venceu a competição no dia 4 de novembro em Perth, Austrália, por apenas frações de segundos após uma improvável recuperação na corrida final. Mangold eliminou o déficit de dois pontos que ele havia carregado para Perth e derrotou o britânico Paul Bonhomme (Equipe Matador).
Os dois haviam duelado durante toda a competição, para delírio de quatro milhões de espectadores presentes nas 10 corridas realizadas ao redor do mundo. Na realidade, os dois arqui-rivais estavam tão equiparados que ainda mantinham ambos 47 pontos após a final de Perth. Para que fosse apontado o campeão, os comissários tiveram que recorrer às regras de desempate. No entanto, os dois tinham o mesmo número de vitórias em 2007 (3), mesmo número de segundos lugares (3), terceiros (3), quartos (0) e quintos (1). Somente com a seguinte regra de desempate - colocações nas rodadas eliminatórias - é que se pôde definir o campeão.
Coincidentemente, os dois tinham o mesmo número de primeiras colocações nas rodadas eliminatórias (4). Mas, quando os segundos lugares foram comparados, Mangold se saiu melhor: dois segundos lugares contra um de Bonhomme. Ou seja, a rodada eliminatória de Porto, oitava corrida da temporada, decidiu para quem iria o título de 2007. Nessa disputa que acabou se tornando decisiva, Mangold ficou em segundo, apenas 0.43 segundos à frente de Bonhomme, que pegou terceira colocação. Em outras palavras, após 10 corridas realizadas em nove países por todo o mundo, o campeonato foi decidido por quatro décimos de segundo.
Essa corrida tão disputada é uma amostra perfeita de toda a temporada de 2007. Cinco pilotos venceram em diferentes corridas. Mangold, que havia vencido em 2005 e ficou em sexto em 2006, e Bonhomme, quinto em 2005 e quarto em 2006, tinham três vitórias cada em 2007. O húngaro, Peter Besenyei (Equipe Red Bull), venceu a primeira corrida em Abu Dhabi, o britânico Steve Jones (Equipe Matador) impediu Mangold de vencer em Porto e o francês Nicolas Ivanoff (Equipe M.R.T.) surpreendeu a todos com sua esplêndida vitória na corrida final em Perth. Estranhamente, o campeão do ano passado, Kirby Chambliss (USA/Equipe Red Bull) não venceu uma corrida sequer em 2007, apesar de figurar nas finais de duas das quatro últimas etapas. Chambliss venceu quatro das oito corridas de 2006 e levou o título com facilidade - uma margem de três pontos sobre o segundo colocado, Besenyei. Este ano, o húngaro ficou em terceiro e Chambliss em quarto.
O novo sistema de knock-out, ou “mata-mata”, serviu como catalisador para o crescente suspense da temporada e, ao final dela, foi considerado o principal causador da bem-vinda revolução entre as primeiras colocações. Além dos tempos consideravelmente mais apertados, o novo formato tornou possível àqueles que estavam um pouco fora do ritmo chegar até as semifinais, ou mesmo até a uma final. Algumas rodadas knock-out foram decididas este ano por apenas 0.01 segundo - um centésimo de segundo. Foi realmente uma temporada incrível.





