MONTANHISMO
Waldemar Niclevicz
Por: Waldemar Niclevicz  |  26.05.2015

Fui para o Peru no início de maio apreensivo com as consequências do terremoto no Nepal. Como muitos pensaram, eu poderia estar lá. Sigo recebendo mensagens dos meus amigos que vivem em Kathmandu, sherpas e brasileiros, continuo procurando ajudá-los. Ainda vai demorar muito tempo para que possamos dizer que o pior já passou, portanto, se você estiver comovido, clique aqui e faça um depósito na conta da Missão Cristã Mundial. Garanto que a gratidão por sua ajuda será imensa!

Minha viagem ao Peru foi bem mais rápida do que eu gostaria. Isso porque as chuvas continuam assolando as montanhas próximas à Cusco, em razão do fenômeno El Niño, que deixa as águas do Pacífico mais quentes, assim a umidade invade o continente e, ao chocar-se com a Cordilheira dos Andes, desaba em fortes chuvas, algo incomum para os meses de maio a outubro. Essas chuvas significam nevadas nas montanhas, e também um excesso de água nos rios da bacia amazônica, que resultou nas enchentes que castigam os brasileiros no Amazonas, Rondônia e Acre, onde o nível dos rios chegou a subir até 18 metros.

Apesar de toda a instabilidade climática, esta breve etapa do Projeto Mundo Andino, na verdade uma continuidade da Expedição Império do Sol que aconteceu no ano passado, teve um excelente resultado: a escalada do Palcay, com modestos 5.422m de altitude, mas uma montanha jamais escalada. Ter a consciência de haver se tornado o primeiro ser humano a pisar no cume de uma montanha é sempre algo que traz grande orgulho para um alpinista. Foi assim que nos sentimos, o americano Nathan Heald, o peruano Edwin Espinoza e eu, no amanhecer do dia 11 de maio, quando em uma breve trégua das nuvens, chegamos ao cume desta montanha situada na Cordilheira de Vilcabamba, que engloba o santuário de Machu Picchu.

A descida do Palcay foi tranquila, desescalamos trechos de até 70o de inclinação por nossa linha de subida, o esporão oeste, depois continuamos descendo e a chuva voltou com força. Chegamos em nosso acampamento base (4.100m), no vale do rio Aobamba, encharcados e tremendo de frio.

Aquele tempo ruim já estava durando mais de dez dias, provavelmente iria melhorar, assim seguimos nosso plano de ir para o Salcantay (6.271m), o grande desafio da expedição. Montamos um acampamento a 4.500m e fizemos um depósito de equipamentos a 5.000m, no meio de sua face norte, esperando o tempo melhorar, mas a chuva apenas aumentou. Fui ficando cada vez mais preocupado, o início da rota que pretendíamos enfrentar (aberta pelo francês Lionel Terray em 1956 e repetida apenas uma vez, em 1970) estava completamente exposto às avalanches. Depois de uma semana nossa comida começou a acabar, e a previsão do tempo que recebíamos graças ao telefone via satélite eram desanimadoras, uma pena!

Espero dar continuidade a Expedição Império do Sol o ano que vem, oxalá com um tempo bem melhor. Além do mais, para este ano tenho outras escaladas confirmadas, razão pela qual era importante voltar ao Brasil para poder atender os pedidos de palestras das empresas, pois são elas que estão tornando possíveis a continuidade do Projeto Mundo Andino.

Escalar o Palcay foi para mim uma forma de comemorar os 20 ANOS DA CONQUISTA BRASILEIRA DO EVEREST, que aconteceu em 14 de maio de 1995. Fico feliz em perceber que muitas outras escaladas aconteceram nestas duas décadas, e mais ainda em ter a convicção que elas vão continuar acontecendo. O livro O Brasil No Topo do Mundo, recém lançado, é um testemunho desta minha dedicação, que gostaria muito de compartilhar contigo. Se você ainda não garantiu o seu exemplar, favor acessar www.oBrasilnoTopoDoMundo.com.br.

Que você também continue recebendo toda a felicidade, e dando continuidade, com muito orgulho, ao seu trabalho!

Namastê,
Waldemar Niclevicz
www.niclevicz.com.br

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