Estimados Amigos!
Siga o relato da nossa fantástica expedição ao Salto Angel, a cachoeira mais alta do mundo. Clique aqui para ver os relatos anteriores.
Bem, depois da chegada até a base do Salto Angel, não perdemos tempo e já começamos a escalada.
Enquanto parte da equipe ia enfrentando os primeiros metros do paredão de 1.100m de altura, a outra parte ia transportando equipamentos e comida até a base da parede, e, aos poucos, enchendo nossas garrafas pets com um total de 220 litros de água, a ser usada durante os dias que ficaríamos pendurados.
Adotamos um estilo bem conservador durante a nossa escalada, queríamos garantir o sucesso da expedição sem sofrer o risco de potenciais acidentes, algo bem fácil de acontecer nessa parede que é considerado o “big wall” mais difícil do mundo.
Embora quiséssemos fazer toda a escalada em livre, logo no início ficou claro que seria muito difícil, pois a rocha estava molhada em vários lugares, mas o maior problema é que a rocha é muito abrasiva, afiada, com muitos blocos soltos, ou seja, em qualquer manobra arriscada as cordas poderiam sofrer cortes e grandes blocos de pedra poderiam vir abaixo com um de nós agarrado neles. Fomos pelo caminho da prudência, com muito cuidado, em um estilo “artifo-livre”, ou seja, íamos tocando em livre (sem se apoiar nas proteções) mas quando necessário entrávamos em artificial (apoiando-se nas proteções, em fitas e estribos), para, logo que possível, seguir novamente em livre. Mesmo assim foi uma escalada super tensa, adrenalina pura!
Quem atacou a parede logo no inicio foi o Chiquinho, seguindo pela saída original aberta pelos espanhóis em 1990, um 4º cheio de mato e bem escorregadio. Serginho foi atrás e eles chegaram debaixo do primeiro grande negativo, lançaram uma corda para baixo e o Ed subiu para resolver o problema, não sem levar o primeiro susto da escalada. Tudo parecia indo bem, 7a sobre rocha molhada, A2 na virada do teto e... lá foi o Ed voando uns 10 metros para baixo! A corda novinha, de 11mm, uma das melhores do mundo, Edelweiss, sofreu um bom corte. Dali para cima, quem guiava somente se encordou com cordas duplas, bem mais seguro.
Essa primeira etapa da escalada durou 4 dias, tempo necessário para chegarmos até a altura do nosso primeiro acampamento suspenso, que montamos a 370 metros de altura da base da parede. Até lá foram 11 esticões, lances de até 7c e A2+ super expostos, mais uma queda de 10 metros cinematográfica (do Val), e muita, muita alegria de todos da equipe, quando finalmente estávamos prontos para nos mudarmos para a parede, onde ainda ficaríamos 13 dias suspensos, mas isso é história para a próxima atualização.
Aproveite a vida, encare desafios, boas escaladas!
Um forte abraço,
Waldemar Niclevicz





