MONTANHISMO
Waldemar Niclevicz
Por: Waldemar Niclevicz  |  13.05.2009

Estimados Amigos!

Em breve eu e o meu mui estimado amigo Irivan Gustavo Burda (já escalamos juntos o Everest, o Lhotse e o Makalu), vamos enfrentar um dos maiores desafios do alpinismo mundial, o Leopardo das Neves. Trata-se da escalada das maiores montanhas da Ásia Central, situadas nas cordilheiras do Pamir e do Tien Shan.

A idéia do “Projeto Leopardo das Neves” foi criada em 1956, quando um russo chamado Ratzik sugeriu que o título de Snezhny Bars (Leopardo das Neves) fosse concedido aos alpinistas que escalassem todas as montanhas com mais de 7 mil metros de altitude da antiga União Soviética.

Em 1967, em razão da comemoração dos 50 anos da Revolução de Outubro (revolução comunista russa de 1917, que resultou em 1922 na criação da União Soviética), o Governo Soviético, na busca de incrementar os ideais revolucionários e engrandecer o orgulho soviético, decidiu oficializar o Projeto Leopardo das Neves, aqueles que completassem o desafio receberiam uma medalha e o pomposo título de “Conquistador das Montanhas Mais Altas da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas”.

No início o desafio era composto por quatro montanhas: o Comunismo (7.495m), o Lenin (7.134m) e o Khorzenevskaya (7.105m), situados no Pamir; e o Pobeda (7.439m), situado no Tien Shan. Mais tarde foi acrescentado o Khan Tengri (7.010m), que fica no Tien Shan.

Nos primeiros anos o Khan Tengri ficou de fora, pois sua altitude aceita era de 6.995m. Por vários períodos distintos, o Pobeda também ficou de fora, pois as fronteiras estavam fechadas devido a atritos políticos com a China. De 1989 em diante o projeto se estabilizou com todas as cinco montanhas.

O primeiro alpinista a se tornar um Leopardo das Neves foi Ivanov, de Moscou, em 1961. Cinco anos após, em 1966, outros três montanhistas se tornaram Leopardo. Em 1968 mais um. Em 1969 mais dois. E em 1970 outros cinco. Doze alpinistas, ao todo, nos anos 60.

Segundo a Federação Russa de Alpinismo, até 2008, aproximadamente 577 alpinistas haviam completado o projeto (muitos a versão de 4 montanhas, alguns a de 5). Há apenas raros ocidentais presentes na lista. A maior parte dos Leopardos das Neves são russos ou “ex-soviéticos”, os “estrangeiros” são apenas 36, de 10 países, a saber: 13 da Bulgária, 6 do Japão, 4 da França, 4 da Polônia, 3 da República Tcheca, 2 da Áustria, 1 do Canadá, 1 da Turquia, 1 do Reino Unido, 1 da Espanha. Não existe, portanto, nenhum latino-americano Leopardo das Neves.

O Pamir, um complexo sistema de montanhas, chamado pelos persas de “teto do mundo”, é o principal nó orográfico da Ásia, de onde partem as mais altas cordilheiras da Terra (o Himalaia, o Karakorum, o Hindu Kush e o Tien Shan). A região é formada por longas cadeias de montanhas que são separadas por amplos vales, chamados de “Pamir”, e estende-se principalmente sobre os territórios do Tadjiquistão, do Quirquistão e do Cazaquistão, atingindo também o Afeganistão e o Paquistão. Reino de cabras e cavalos selvagens, o Pamir possui alguns dos maiores glaciares do mundo e ainda vales desconhecidos e montanhas que nunca foram escaladas.

O Tien Shan tem a fama de possuir as montanhas mais distantes, desconhecidas e sedutoras do mundo, sendo que muitas também jamais foram escaladas. Na maior parte da região não existem estradas ou povoados, nem mesmo estão marcadas nos mapas, e apenas uma caminhada já é considerada uma grande aventura. O Khan Tengri, cujo nome significa “Príncipe dos Espíritos” é considerado uma das montanhas mais lindas do mundo. O ponto culminante de toda a cordilheira, o Pobeda, cujo significado é “Pico da Vitória”, é uma das montanhas mais difíceis e perigosas do mundo. A cordilheira do Tien Shan se impõe entre o Quirguistão e o Cazaquistão, e se prolonga pelo interior da China em direção a Mongólia.

O Irivan e eu vamos realizar a Expedição Leopardo das Neves graças às empresas que me contratam para a realização de palestras. Focadas em planejamento estratégico e superação de desafios, as palestras são um sucesso, toda a semana faço pelo menos uma (semana passada foram duas, uma em Porto Alegre e outra em Palmas, no Tocantins).

O belo projeto de patrocínio que fizemos recebeu atenção apenas da KLM que gentilmente nos cedeu as passagens aéreas do Brasil até o Cazaquistão. O grupo Air France KLM já tinha nos apoiado no ano passado, quando fomos escalar o Makalu.

O Irivan e eu gostaríamos de externar a nossa gratidão a KLM, esperamos também realizar mais algumas palestras antes de nossa partida para Almaty (Cazaquistão), via Amsterdam (Holanda), confirmada pela KLM para o dia 24 de junho. A volta ao Brasil está prevista para o dia 31 de agosto.

Aproveito para informar que voltei a organizar e guiar expedições para as montanhas, como mais uma forma de arrecadar fundos para as minhas escaladas. São expedições comerciais, como toda a segurança e conforto possíveis, sempre para grupos pequenos, mínimo de 4 e máximo de 6 pessoas. Abaixo as saídas já confirmadas, ainda existem lugares para todas elas. Interessados favor entrar em contato por e-mail.

- Bolívia, de 3 a 14 de junho de 2009: escaladas do Pequeno Alpamayo (5.410m) e do Huayna Potosi (6.088m). Expedição indicada para iniciantes. Pode ser realizada de maio a outubro, monte o seu grupo e escolha uma data.

- Aconcágua, de 1º a 20 de fevereiro de 2010: escalada pela Rota Normal.

- Everest, 1º de abril a 1º de junho de 2010: escalada pela Rota Normal, pelo Nepal.

- Everest, 1º a 21 de abril de 2010, caminhada até o acampamento-base: 15 pessoas vão acompanhar até a base os alpinistas que vão escalar o Everest.

Antes de nossa partida para o Leopardo das Neves, mais detalhes desta fascinante expedição!

Continue acreditando em seus sonhos, faça tudo para realizá-los, viva intensamente!

Namastê!

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