Estimados Amigos!
A única forma de realmente conhecer o mundo é viajando, e a única forma de conhecer a natureza profundamente é refugiando-se em seus últimos redutos selvagens, principalmente nas montanhas!
Estou muito feliz de voltar ao Brasil, após exatamente 40 dias de uma viagem espetacular! Visitei sete novos países (México, Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Costa Rica e Panamá) e ainda tive o prazer de voltar a Colômbia. Fiz novas amizades e revi velhos amigos! Conheci impressionantes histórias! Voltei no tempo ao visitar um sem fim de ruínas arqueológicas, principalmente as Mayas! Escalei a maior montanha do México, da América Central (na Guatemala) e da Costa Rica! Mergulhei no Atlântico (Mar do Caribe) e no Pacífico, e ainda nos Cenotes (cavernas)!
O que parecia longe, distante, passou a fazer parte da minha realidade em pouco mais de um mês! Agora posso dizer, com convicção, como são as montanhas do México e da América Central, uma linha de vulcões impressionantes, muitos ativos e bem perigosos, com explosões e derramamento de lavas!
Neves eternas (ou ainda um pouco do que resta dos glaciares) existem apenas no México, o Orizaba (5.746m) ainda tem um belo cone gelado, um glaciar que vai dos 5.000m até o topo de sua imensa cratera. Entre os 3.000m e 4.000m existe um belo bosque de pinus! É um Parque Nacional, mas infelizmente abandonado pelas autoridades, o desmatamento vai reduzindo a bela floresta e colaborando para o derretimento do precioso glaciar, que é quem garante o suprimento de água para grandes cidades mexicanas, como Puebla.
No Tajumulco (4.220m), a maior montanha da América Central, na Guatemala, raramente chega a nevar (o mais comum é chuva de granizo), mas uma neve que dura apenas algumas horas e derrete rapidamente com o calor do sol. Agora em janeiro, pleno inverno na Guatemala, peguei -2º C durante a subida do Tajumulco, o chão estava coberto por uma fina camada de gelo (geada), mas isso apenas porque subimos de madrugada (e com uma bela lua cheia). O desmatamento é gravíssimo na Guatemala, grande parte da população, por incrível que pareça, ainda usa lenha para cozinhar! O Parque Nacional da maior montanha da América Central também não recebe nenhuma atenção do Governo, pouco resta da antiga floresta de pinus, e a quantidade de lixo na montanha me assustou!
A situação da natureza e do ser humano em El Salvador, Honduras, Nicarágua e Panamá, é muito séria! Pobreza, alto índice de criminalidade, desmatamento, assoreamento de rios, lixo e poluição, colocam em sério risco a sustentabilidade, tanto a do homem quanto a do meio ambiente, o que me deixou muito preocupado.
Felizmente temos uma grande consciência ecológica na Costa Rica, por isso o país desperta o interesse de milhares de turistas que visitam seus paraísos naturais durante todo o ano. E aqui vale uma grande observação, sabe qual o grande patrimônio natural da Costa Rica? Uma floresta praticamente idêntica a nossa belíssima Floresta Atlântica (particularmente, acredito que a brasileira é muito mais bonita)! O segredo de tanto sucesso é a preocupação do Governo (da Costa Rica, é claro!) em preservar toda essa exuberante riqueza, enquanto aqui no Brasil... bem, o Governo se preocupa com as próximas eleições!
Depois da Guatemala, a Cordilheira Vulcânica perde sua imponência, os vulcões são menores e não formam uma linha de cumes ou serra, mas na Costa Rica as montanhas voltam a ganhar altitude, nada comparado ao altiplano mexicano ou guatemalteco, mas chegam a se formar campos de altitude (Páramos) no Chirripó (3.820m), raramente há temperaturas negativas e nunca neva.
No Panamá a maior montanha é o Vulcão Baru (3.475m), é possível chegar no sue cume de carro, e a falta de cuidado com o meio ambiente volta a ser uma triste realidade. O orgulho do país é o Canal do Panamá, bela obra de engenharia que fiz questão de conhecer de perto, cruzando suas imponentes eclusas do Atlântico até o Pacífico, são 80Km, cerca de 36 grandes embarcações (que levam até 4.500 contêineres) cruzam o Canal diariamente, pagando um pedágio em média de 120 mil dólares por barco (para um veleiro pequeno o pedágio é de apenas 500 dólares).
Esta “Expedição México e América Central” foi feita sem patrocínio, graças as empresas que me contratam para realizar palestras para seus funcionários e clientes. O objetivo maior era conhecer as montanhas da região e fotografá-las, para incluí-las no livro “O Brasil no Topo do Mundo”, um belo livro de fotos de todas as minhas escaladas, que será publicado em 2010.
A próxima expedição, com o mesmo objetivo, será para o Pamir e Tien Shan (Kazaquistão, Quirguistão e Tadjiquistão), em julho e agosto. Para isso espero conseguir um patrocínio, ou realizar muitas palestras!
Nas próximas atualizações vou contar detalhes de cada uma das regiões que visitei. Veja nas fotos alguns momentos inesquecíveis que vivi.
Um grande abraço,





