Ilhabela é um paraíso para a Canoagem! Antes de confirmar esta extraordinária afirmação, preciso esclarecer algo que confunde até caiçaras e antigos moradores. Não existe no Brasil uma ilha com o nome de Ilhabela! Isso mesmo, o que temos é o “Arquipélago de Ilhabela”, que constitui a Estância Balneária de Ilhabela, único município-arquipélago marinho brasileiro, formado por onze ilhotes e pelas ilhas dos Búzios, da Vitória, dos Pescadores e a de São Sebastião, popularmente conhecida como “Ilhabela”.
A grandiosa Ilha de São Sebastião se destaca como a terceira maior ilha marítima do país, com 339 km² de área, 136,5 km de perímetro, 27,98 km de comprimento e 21,1 km de largura, o suficiente para transformá-la no sonho de consumo de muitos remadores.
Já a circum-navegação da Ilha é considerada uma das mais clássicas remadas do Brasil, a melhor forma de conhecer praias selvagens, comunidades caiçaras e áreas isoladas de Ilhabela, permitindo desembarcar em locais “invisíveis” aos barcos maiores e impossíveis de chegar caminhando. Realizada em 3 a 4 dias – melhor uma semana para conhecer e curtir mais -, trata-se de um belo desafio para remadores experientes, aventura técnica sujeita a mar aberto, ondas, ventos e mudanças de clima.
Entre águas claras de ânimos variados, a menor circum-navegação da Ilha exige 46 milhas náuticas (MN) de navegação (≈85 km), mas corta tantos atrativos que só é aconselhada como treino para quem já conhece os principais recantos de Ilhabela. Um bom roteiro vai exigir pelo menos umas 65 milhas náuticas de remada (≈120 km).
Para quem pretende encarar esta inesquecível aventura é preciso ficar atento às cartas náuticas, correntes marítimas e previsão do tempo, se possível conferindo dados diariamente. Pois assim como às vezes é possível cruzar a temida Ponta do Boi com tranquilidade, é comum o mar virar repentinamente impossibilitando a remada mesmo no abrigado Canal de São Sebastião, que afunila as fortes frentes frias que vem do quadrante sul, com vagas e ventos tão poderosos que já engoliram vários navios.
No Canal fique esperto com as velozes lanchas e Jet skis, especialmente nos feriados, quando proliferam as irresponsabilidades marítimas. Mas é o lado oceânico da Ilha que requer maior atenção, principalmente nos trechos entre a Ponta da Sela e a praia do Bonete e entre as pontas do Diogo e da Piraçununga, com longos costões de difícil desembarque às vezes açoitados por enormes ondas (de SO, S e SE). Cautela também entre a Piraçununga e a Ponta da Cabeçuda, um dos trechos mais expostos aos que passam por fora da grande Baía dos Castelhanos, em particular com as frentes de sudeste e o famoso “lestão”, afamado vento que ocasionalmente transforma esta área em um inferno de água salgada.
Onde começar dependerá das condições do tempo, que favorecerá remar no sentido horário ou inverso. Com a previsão ideal, um bom roteiro seria:
1º dia
Do píer da praia do Perequê até a praia do Bonete, que possui campings – passando por cerca de 20 praias e prainhas do Canal, pelo farolete da Ponta da Sela e pelos espetaculares Buraco do Cação e Gruta do Oratório (16,7 MN / ≈31 KM);
2º dia
Do Bonete até a praia da Figueira, acampando no quintal de algum generoso morador – navegando pela impressionante Laje do Carvão, pelas praias das Enchovas e da Indaiaúba, pelos ilhotes do Codó e da Figueira, pelas incríveis formações do Saco do Diogo e da Ponta da Talhada (um dos trechos mais lindos de toda a remada, com microenseadas e grutas), pela Ponta do Boi com o seu imponente farol (um dos mais temidos trechos do litoral brasileiro), pelo farolete da Pirabura, pelo belo Saco do Sombrio e pelas prainhas do Codó e das Galhetas, duas pérolas do Arquipélago (17,5 MN / ≈32 KM);
3º dia
Da Figueira até a charmosa praia do Poço, passando pela longa e bela praia dos Castelhanos, por mais uma dezena de praias paradisíacas e pelo Farol da Ponta Grossa (17,5 MN / ≈32 KM);
4º dia
Do Poço de volta ao Perequê, passando pelas fascinantes praias da Fome, do Jabaquara e da Pacuíba e por quase duas dúzias de outras praias no Canal (12 MN / ≈22 KM).
Claro que isso é apenas uma sugestão de roteiro, para os remadores que acham o Canal movimentado ou desinteressante é possível cortar este trecho e fazer esta aventura em apenas 3 dias, pernoitando na praia da Caveira.
Aos interessados nesta espetacular aventura, sugiro assistir um vídeo em minha página no Youtube e contratar a Nature Experience Ilhabela (naturexperience.tur.br). Caso tenha alguma dúvida: mb@photoverde.com.br. Ótima remada!





