ESCALADA
Lucas Sato
Por: Lucas Sato  |  21 de junho de 2017  •  03:25

Antes de falar de proteção fixa, devemos esclarecer alguns pontos sobre a ética na escalada em rocha.

  1. Sempre que houver a possibilidade, devemos usar uma proteção móvel ou natural antes de instalar uma fixa.
  2. Nunca adulterar uma via de escalada, seja adicionando ou subtraindo proteções fixas.
  3. O responsável pela instalação, manutenção e substituição das proteções fixas será sempre o conquistador da via.
  4. Excesso de proteções fixas também é considerado antiético.

Estão nesse grupo os grampos, chapeletas e ancoragens químicas. São produzidos basicamente em aço carbono e inox. No Brasil tivemos algumas proteções fabricadas em titânio, evitando assim a corrosão à beira mar por exemplo.

Grampos

Historicamente, os grampos existem desde o século passado. Alguns, como os da conquista do Dedo de Deus (1912), estão fixados até hoje. Conhecidos no Brasil como grampos P’s, nada mais são do que uma barra de aço soldada a um olhal.

Um grampo pensado para servir para escalada em livre deve ter meia polegada de espessura, o que equivale a 12,7mm. Grampos de 3/8 ou 9,8mm já foram utilizados, mas caíram em desuso por entortar muito fácil e até mesmo quebrar em caso de queda de fator alto. Grampos de ¼ ou 6,3mm são utilizados apenas em artificial fixo.

Para os grampos P’s, não existe uma certificação já que foram inventados e fabricados manualmente por brasileiros. Sua construção faz com que sua força seja tracionada sempre em cisalhamento e nunca em arrancamento, pois ele não contém um chumbador de expansão, entrando com pressão no furo feito.

A grande facilidade do grampo P está na hora de abandonar uma via, como seu olhal possui uma superfície arredondada, podemos passar a corda direto no grampo.

Chapeleta

Somente com uma chapeleta não conseguiríamos proteção alguma, é preciso furar a rocha e instalar um parabolt, que pode ter de 10 a 12mm de espessura. Instalado o parabolt na rocha, coloca-se a chapeleta e fecha-se os dois com uma porca, na parte rosqueada do parabolt.

A vantagem do parabolt é que ele se expande dentro do furo, garantindo assim mais segurança. As chapeletas geralmente têm certificação e suportam cargas de 2200 a 2500 quilos.

O grande ponto negativo da maioria das chapeletas simples é que não se pode passar a corda para um possível rapel direto em seu olhal, pois a superfície é muito fina, danificando assim a corda. Nesse caso realizamos o abandono de material, que pode ser uma fita, cordelete, malha rápida ou mosquetão. Nas paradas (pontos de reunião dos escaladores e lugar onde realizamos o rapel) normalmente são instaladas duas proteções ‘’rapeláveis’’, isso quer dizer que pode-se passar a corda diretamente no olhal. Existem modelos que são duplas, ovaladas e com argola.

Como a chapeleta é usada em conjunto com um parabolt, ambos devem ser fabricados do mesmo material. Isso quer dizer que não podemos combinar o aço carbono com o inox. Evitando assim a corrosão galvânica, processo que acelera a degradação do material mais fraco, fazendo com que se enferruje mais rápido.

Ancoragem Química

Existe também o que chamamos de ancoragens químicas, muito comuns em arenitos, como no Morro do Cuscuzeiro. Esse tipo de proteção normalmente é composto por um tipo que grampo que não possui solda, o que o torna muito mais resistente. O sistema de fixação muda totalmente pois aqui inserimos um tipo de cola muito resistente e de secagem rápida. Instalar uma ancoragem química requer tempo e muita habilidade.

Minha opinião

Particularmente não tenho muita experiência com grampos, sempre usei as chapeletas para proteger as vias que conquistei. Isso não quer dizer que eu não aprove o uso do grampo, muito pelo contrário, sempre escalei em lugares com grampos P’s. Acho que uma proteção bem colocada depende muito mais do conquistador do que da proteção em si.

Outro ponto importante é deixar claro que existem duas maneiras de se ‘’equipar’’ uma via, muito simples: de baixo ou de cima!

Em vias esportivas é comum montar um rapel, descer, marcar os possíveis lugares das proteções fixas e depois instalar. Dessa forma a ancoragem química se torna super útil, tendo em vista que você estará preso na corda que vem de cima.

Diferente de quando se conquista de baixo, onde estamos guiando a via. Exemplo: Se a última proteção que coloquei está a 10 metros abaixo de mim e preciso instalar outra, devo seguir o seguinte procedimento:

  1. 1 - Bater o martelo na rocha para checar se esse pedaço da rocha está firme
  2. 2 - Fazer o furo e assoprá-lo para retirar as impurezas
  3. 3 - Instalar a proteção
  4. 4 - Apertar a porca no caso de parabolt
  5. 5 - Finalmente passar a costura e me proteger

Agora nesses 5 pontos eu estou literalmente escalando, muitas vezes usando uma mão apenas para fazer tudo isso, quase impossível usar uma ancoragem química, não?

Talvez essa pequena parte do texto sirva para mostrar a importância e ‘’trabalho’’ dos conquistadores. Sem conquistadores investindo tempo, dinheiro, suor e muita dedicação não teríamos vias para escalar.

Termino o texto agradecendo as duas marcas que me apoiam e acreditam na escalada brasileira. Sem elas muitas das vias que conquistei estariam apenas na mente.

Âncora Sistemas de Fixação

Empresa 100% Brasileira com sede em Vinhedo/SP, líder e especialista em sistemas de fixação.

JGariglio

Empresa criada por escaladores da região de Belo Horizonte/MG, especializada em proteções fixas como chapeletas e grampos. Líder no mercado nacional equilibrando produtos de qualidade com preço justo.

comentários
LIVROS

COMPRE AGORA

Elias Luiz possui um estilo de escrita singular, proporcionando aos leitores a sensação de fazerem parte da aventura enquanto percorrem as páginas do livro. Repleto de reflexões sobre a vida moderna e superação, apresentando a experiência única de viver um grande aventura em meio à natureza. As obras são enriquecidas com fotos e mapas que estimulam a imaginação do leitor. É impossível mergulhar na leitura sem sentir o desejo de colocar uma mochila nas costas e vivenciar sua própria jornada. Boa leitura e boas aventuras!

 

R$ 79 / frete grátis
  • 340 páginas
  • 70 fotos
  • 23 mapas

Suíça e Liechtenstein

(2 reviews)

Elias Luiz percorreu 390 km pela Via Alpina, atravessando a Suíça de Vaduz a Montreux, superando 23.500 metros de altimetria e transformando essa jornada em seu novo livro de aventura.

R$ 79 / frete grátis
  • 324 páginas
  • 70 fotos
  • 29 mapas

Argentina e Chile

(881 reviews)

Elias Luiz percorreu trilhas de longa distância em Bariloche, diversos roteiros em El Chaltén, o magnífico Circuito O em Torres del Paine e o Circuito Dientes de Navarino em Puerto Williams.

R$ 79 / frete grátis
  • 276 páginas
  • 75 fotos
  • 20 mapas

Nepal e Tibet

(917 reviews)

O trekking ao Campo Base do Everest é a trilha mais desejada por todo aventureiro e Elias Luiz relata a sua grande jornada pelo Nepal e também pelo Tibet, passando pela face norte.

R$ 79 / frete grátis
  • 320 páginas
  • 60 fotos
  • 1 mapa

Canadá

(722 reviews)

A Great Divide Trail, com seus 1.100 km é uma das trilhas mais inóspitas, difíceis e bonitas do planeta. Embarque junto com Elias Luiz e Daiane Luise nessa aventura repleta de ursos.

R$ 79 / frete grátis
  • 272 páginas
  • 66 fotos
  • 1 mapa

Suécia e Noruega

(793 reviews)

Você está prestes a conhecer uma das regiões mais selvagens da Europa, na Lapônia, acima do Círculo Polar Ártico, repleta de ursos, lobos, renas e a magistral Aurora Boreal.

R$ 55 / eBook
  • 300 páginas
  • 60 fotos
  • 12 mapas

França, Itália e Suíça

(3.728 reviews)

Para você que sonha em colocar a mochila nas costas e fazer uma viagem de aventura, este livro será uma grande inspiração. Elias Luiz narra a sua aventura pelos Alpes.

Se você sonha em fazer uma caminhada de longa distância, aproveite o roteiro oferecido por Elias Luiz, onde ele refaz a trilha original do seu livro Tour du Mont Blanc. Serão 170 km em 11 dias de caminhada e dias de descanso na charmosa Chamonix e em Courmayeur. Viva essa experiência!



O MELHOR DO TMB

Passeios inclusos para o Mer de Glace e Aiguille du Midi.

BAGAGEM

Transporte de bagagem incluso. Você caminhará leve.

OFERTA ESPECIAL

€ 4.290,00 dividido em 3 parcelas o trecho terrestre.

DEPOIMENTOS

"Gostaria de registrar o carinho e capricho que tens com os leitores. Como sou leitor das antigas prefiro o livro impresso! Ainda fico ansioso pela chegada de um novo livro. O teu vai além de um "simples" livro. Tem qualidade, interatividade, arte, uma fotografia fantástica e uma ótima e envolvente história. Obrigado por me inspirar a buscar cada vez mais a 'Waldeinsamkeit' .
Alles Gutes für dich!"

Rafael SilvaLeitor de Rocky Mountains

"Adorei Elias! Senti emoção, medo, achei que você é maluco, senti saudades, fiquei com vontade de fazer a trilha, e no final desisti… mas não de fazer trilhas tá! Só desse final perigoso! Parabéns pelo livro, pela coragem e determinação! Parabéns por nos inspirar, por fazer olhar o mundo de diferentes formas. Por nos mostrar que devemos sair da rotina, sentir a natureza, viajar… e o que mais precisamos é ter um coração em paz e bons amigos!"

Kelly Cardelli Leitora de Patagonia

"Obrigada Elias, o livro é sensacional! A riqueza de detalhes impressiona, devorei o livro ontem a noite, em muitos momentos me emocionei e me senti caminhando contigo a cada parágrafo que ia lendo. Você conseguiu passar a emoção vivida, e isso é sensacional pra nós leitores! Não vejo a hora de estar lá!"

Anelize Damy Leitora de Tour du Mont Blanc

"Completar o TMB com o Extremos foi uma experiência incrível. Uma trilha desafiadora pelo desnível, mas que te recompensa sempre com paisagens deslumbrantes, natureza preservada, sabores, sons e água pura. Passamos por três países, cidades, vilarejos, refúgios aconchegantes, florestas e fazendas, sempre com a montanha por perto nos mostrando sua grandiosidade e beleza. Uma imersão intensa na cultura alpina e no espírito de união entre os hikers que encontramos na trilha.

Marcos Ribeiro Hiker do TMB