Você já se pegou olhando uma fotografia?
Uma cidade. Uma montanha distante. Um lugar por onde você passou.
E, naquele instante, sem aviso, volta para lá. Não para o lugar. Mas para o momento.
E então surge um pensamento:
Eu deveria ter aproveitado mais.
Deveria ter caminhado mais devagar. Observado mais. Sentido mais.
Porque, quando estamos vivendo um momento, raramente percebemos que ele está se transformando em memória.
A gente acredita que haverá outra oportunidade.
Outro verão. Outra viagem. Outro encontro.
Mas o tempo segue em frente.
E um dia tudo o que resta é uma fotografia.
Uma pequena janela para um lugar que já não existe da mesma forma.
Talvez seja por isso que certas imagens nos emocionam tanto.
Não porque mostram onde estivemos. Mas porque nos lembram de quem éramos quando estávamos lá.
E nos fazem perceber que o verdadeiro valor de uma viagem, de uma trilha ou de uma fase da vida não está apenas no destino alcançado.
Está naqueles instantes comuns que passaram despercebidos.
Instantes que hoje daríamos qualquer coisa para viver novamente.
O tempo não volta.
Mas as fotografias têm esse estranho poder: por alguns segundos, elas nos permitem caminhar novamente por lugares que já ficaram para trás.




