A cidade de São Paulo é famosa por seus congestionamentos, alagamentos, superpopulação, poluição, por ser o centro financeiro do Brasil e outras coisinhas mais. Só que nesta metrópole sempre efervescente também existem verdadeiras pérolas culturais, gastronômicas, de lazer, enfim, de tudo de bom. É esse lado que quero dividir com você, leitor, em nossos encontros nessa série "Oásis na selva... de pedra". Impossível falar de tudo, portanto compartilharei meus points favoritos ou que eu venha a conhecer e curtir, com fotos que eu mesma farei, para escrever com o astral do que eu vivenciar, sem buscas frias na internet, embora eu vá recomendar um ou outro site, se houver, para você saber mais.
Se você estiver em Sampa, quem sabe se anima a visitar os locais que ainda não conhece. E se for um "outsider", talvez inclua algum desses oásis em sua agenda em sua próxima visita à Paulicéia que é desvairada, sim, mas sem dúvida interessante, vibrante e diversificada também.
O céu daquela tarde de sábado estava nublado, com a chuva pendurada. Mesmo assim, deixei o carro estacionado na avenida Liberdade, exatamente em frente ao maravilhoso Sebo do Messias, atravessei a praça João Mendes, desci pela lateral da igreja da Sé e contornei sua praça, não sem antes admirar a quantidade de pessoas que se espalhavam por ela. O que tem o marco zero paulistano para atrair tanta gente?, pensei, enquanto meu olhar não se fixava em nada ou ninguém em particular, acompanhando o ritmo dos meus passos no chão molhado.
Àquela hora, a maioria das lojas estava fechada e caminhar pelo calçadão sem precisar me desviar de camelôs e outros transeuntes foi muito prazeroso. Deixei a última aglomeração de pessoas em volta de um cantor de música sertaneja para trás e me pus a admirar a arquitetura dos prédios ao longo da rua XV de Novembro. Segui até o fim dela, onde estão as sedes da Bovespa e da Bolsa de Mercadoria e Futuros e o prédio do Banespa (oficialmente, edifício Altino Arantes), aquele pintado de branco com a bandeira do Estado de São Paulo sempre tremulando em seu topo. Esse prédio é para São Paulo o que o Empire State Building é para a cidade de Nova York.
De volta pela mesma rua, entrei à direita na rua da Quitanda e um quarteirão à frente, na esquina com a rua Álvares Penteado, fica o maravilhoso prédio do Banco do Brasil, construído em 1901, e que hoje abriga o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) paulista. Em seus 4.183 metros quadrados encontram-se salas de exposições, cinema, teatro e auditório, além da lojinha CCBB e da aconchegante cafeteria Havana.
Minha visita coincidiu com o encerramento da exposição "Brasil Brasileiro", em comemoração aos 200 anos do Banco do Brasil. No hall de entrada, a instalação do artista Nelson Leirner, "Oásis à vista", dava boas-vindas aos visitantes. Do subsolo ao terceiro andar, obras de arte de artistas como Tarsila do Amaral, Claudio Tozzi, Iberê Camargo, Candido Portinari, entre outros, enchiam os olhos e contavam muito da nossa brasilidade, num presente muito especial para a população. E às 16h ainda teve contação de história com música no mezanino.
Enquanto degustava uma xícara de café com pão de queijo, pensei sobre o quanto havia feito, aprendido e refletido em tão pouco tempo ali. Antes de deixar tudo aquilo para trás e encarar a chuva fina que havia começado a cair, parei na lojinha com seus souvenires, pequenas obras de arte, bijuterias, CDs, DVDs e muitos livros interessantes e, sem resistir muito, acabei comprando "Contos completos", de Virgina Woolf.
Com ou sem exposição comemorativa, no CCBB sempre tem algo interessante acontecendo. E ainda que seja só para conhecer o prédio histórico e relaxar na cafeteria, não há dúvida de que esse é um dos oásis mais charmosos da capital paulista. Fica meu convite para você visitá-lo periodicamente.
Clique e conheça mais sobre o CCBB: www44.bb.com.br/appbb/portal/bb/ctr2/sp/Historico.jsp.
Para saber como foi a comemoração dos 200 anos do Banco do Brasil no CCBB, leia a matéria publicada no Diário do Comércio online:
www.dcomercio.com.br/especiais/2008/brasilbrasileiro/index.html.





