Fernanda Maciel correndo no Salar de Uyuni
TRAIL RUN

Fernanda Maciel quebra recorde no Salar de Uyuni

Atleta completou os 172,8 km entre Llica e Uyuni, na Bolívia, em 19 horas, 50 minutos e 8 segundos, a cerca de 3.700 metros de altitude

Foto: Rudolf Hauser / Red Bull Content Pool

A ultramaratonista brasileira Fernanda Maciel estabeleceu um novo recorde na travessia do Salar de Uyuni, o maior deserto de sal do mundo, na Bolívia.

A atleta percorreu os 172,8 km entre Llica e Uyuni em 19 horas, 50 minutos e 8 segundos, marca 13 horas, 14 minutos e 2 segundos mais rápida que o recorde anterior, de 33 horas, 4 minutos e 10 segundos, estabelecido em 2023 pelo também brasileiro Valmor Giuseppe Leonardo. O tempo vale como FKT (fastest known time) geral da rota, válido para homens e mulheres, e foi confirmado oficialmente pela plataforma fastest known time.

A largada foi às 5h do dia 28 de setembro, sob o arco de entrada de Llica, no lado oeste do Salar. Foram cerca de 145 km sobre o deserto de sal e mais 27 km de estrada até a catedral de Uyuni, onde Fernanda cruzou a linha de chegada às 00h50 do dia seguinte. Apesar de o percurso ser praticamente plano, com apenas 311 metros de ganho de elevação, a rota inteira se desenvolve a aproximadamente 3.700 metros acima do nível do mar: a brasileira passou quase 20 horas correndo em uma altitude próxima à do cume do Monte Fuji, no Japão, que chega a 3.776 metros.

Fernanda Maciel durante a corrida no deserto de sal
Foto: Rudolf Hauser / Red Bull Content Pool

As condições no Salar se mostraram mais complexas do que o previsto. Uma tempestade de granizo transformou trechos do deserto de sal em lâminas de água e lama, com buracos escondidos sob a superfície que obrigaram a atleta a ajustar a pisada o tempo inteiro. A navegação foi outro ponto decisivo: Fernanda seguiu a rota mapeada no celular e, com a escuridão, a leitura da paisagem ficou ainda mais difícil, até que as luzes de hotéis e casas perto da borda do deserto surgiram e lhe deram uma referência visual, ajudando a identificar o caminho até Uyuni. Depois dos primeiros 100 km, o estômago começou a ter dificuldade para aceitar comida, enquanto as pernas seguiam respondendo bem.

“Eu tinha que prestar atenção o tempo todo em onde estava colocando meus pés, adaptar minhas pernas a um ritmo em que meu corpo estivesse confortável correndo 170 quilômetros em altitude em um deserto”, explica a atleta. “Meu corpo inteiro estava exausto. Mas eu continuei empurrando. Foi pura força mental. Minhas pernas estavam destruídas; eu não conseguia abrir a passada. Eu sei correr nas montanhas, mas não no plano. Eu não tinha mais força, mas fiz o meu melhor.”

Fernanda Maciel correndo sobre o Salar de Uyuni
Foto: Rudolf Hauser / Red Bull Content Pool
Fernanda Maciel diante da paisagem do Salar de Uyuni
Foto: Rudolf Hauser / Red Bull Content Pool

Com cerca de duas décadas de competições de ultradistância, Fernanda encara projetos como a travessia do Salar como algo diferente do calendário tradicional de provas. “Me motiva fazer corridas duras fora do mundo da competição. Esses projetos de longa distância são completamente incertos quanto ao resultado, e isso me assusta. Eu também amo isso, porque é algo novo para o qual eu tenho que me preparar e estar conectada”, conclui.