O EDITOR
   
  Em busca dos anos 60
 
 
Leia o artigo ao som de Jack Johnson
 
 
 
 

Em muitos do roteiros que faço, tanto no Brasil como em outros países da América do Sul, percebo a abordagem que muitos mochileiros ou turistas fazem em determinados roteiros, tudo sempre no superlativo.

"nada melhor do que caminhar em vales nevados, sentar no alto de uma montanha e contemplar toda beleza da natureza e voltar extasiado de felicidade"

Roteiros que por si só já são espetaculares, mas o foco vai para algo além, algo do sobrenatural, talvez para dar mais destaque e atrair ainda mais o público carente de fé e espírito. Machu Picchu é uma obra espetacular, imaginar o trabalho que os Incas tiveram em levantar uma cidade no alto de uma montanha, com uma arquitetura magnifica, andar pelas vielas, praças, entrar nos quartos e salas das ruínas nos leva a centenas de anos atrás da cultura Inca e pensar que ali do outro lado dos Andes, no Brasil, a população não passava de índios em suas ocas, uma diferença enorme de cultura.

Mas o que povoa a mente de todos é a Machu Picchu dos anos 60, os hippies em busca da cidade perdida, a cidade dos deuses, uma epopéia zen embalada com muita "marijuana" em busca de um auto conhecimento e respostas as suas angústias.

Percebo a frustração de muitos que quando retornam de lá, voltam vazios dessa experiência, e dizem que imaginavam uma coisa e encontraram outra. Acabam por dizer que Machu Picchu é sem graça, sem nada de especial. Drogas e o povo zen é o que menos encontramos nesses roteiros.

No Brasil isso também acontece, hoje, Alto Paraíso (GO) jaz praticamente desabitada, movimentada apenas por poucos turistas em buscas das belezas naturais do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Mas o público que superlotava a pequena cidade antes dos anos 2000, sumiram, pois pregavam que o mundo acabaria na virada do milênio, e durante anos pessoas de toda parte do Brasil e do mundo foram para lá esperar esse fatídico dia, 2000 chegou e passou, o mundo não acabou, mas eles praticamente acabaram com Alto Paraíso, deixando-a abandonada para trás, onde diversas pousadas e estabelecimentos foram fechados devido ao abandono.

Sou do estilo careta, faço os roteiros em busca de belezas naturais, novas culturas e belas imagens, isso me trás paz... nada melhor do que caminhar em vales nevados, sentar no alto de uma montanha e contemplar toda beleza da natureza, e voltar extasiado de felicidade... esse é "os anos 60" em pleno século 21.







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