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Robert Falcon Scott e o grupo polar na Antártica

Biografias Extremos · 006

Robert Falcon Scott

O oficial que chegou ao Polo Sul tarde demais, morreu no caminho de volta e deixou uma história maior — e mais complexa — que a tragédia pela qual se tornou conhecido.

1868–1912Plymouth, InglaterraOficial naval · Explorador polar
Terra Nova · 1910–1913
2expedições antárticas lideradas
34dias depois de Amundsen
5homens no grupo polar
18km do depósito One Ton

O Polo foi alcançado

A chegada ocupou um dia.
O retorno definiu a história.

Scott não foi apenas o homem que perdeu uma corrida. Foi comandante de duas expedições que ajudaram a abrir a Antártica à ciência.

Robert Falcon Scott nasceu perto de Plymouth em 6 de junho de 1868 e entrou na Marinha Real aos 13 anos.

Em 1901, quase sem experiência polar, assumiu a Discovery. A expedição cartografou áreas desconhecidas, produziu pesquisa científica e levou Scott, Ernest Shackleton e Edward Wilson a um novo recorde de latitude sul. O regresso transformou o oficial em figura nacional e plantou o desejo de voltar.

A Terra Nova partiu em 1910 com dois objetivos: ampliar a investigação da Antártica e ser a primeira expedição no Polo Sul. Quando Scott chegou a 90°S em 17 de janeiro de 1912, encontrou a barraca e a bandeira deixadas por Amundsen. A corrida acabara 34 dias antes. O grupo de cinco homens iniciou a retirada; nenhum voltou.

O homem por trás da tragédia

Ambição, dever
e contradição.

A imagem de herói sem falhas envelheceu; a caricatura de incompetente também. Scott exige uma leitura mais atenta.

01

Um comandante naval

Levou hierarquia, disciplina e capacidade de organização a um ambiente que punia rigidez e recompensava adaptação.

02

Uma missão científica

Meteorologia, geologia, magnetismo e biologia eram parte central da Terra Nova, não simples decoração para a corrida.

03

Um sistema complexo

Motores, pôneis, cães, esquis e tração humana formaram uma estratégia vulnerável a falhas, clima e decisões discutíveis.

04

Uma voz até o fim

Os diários transformaram uma marcha silenciosa em testemunho de medo, responsabilidade e consciência da morte.

Uma vida em direção ao sul

43 anos.
Duas Antárticas.

Da Marinha Real à última página do diário, a cronologia de um explorador entre a pesquisa e o Polo.

Marinha e formaçãoExpediçõesÚltima marcha e legado
18680 anos

Nasce em Devon

Robert Falcon Scott nasce em 6 de junho em uma família de tradição marítima perto de Plymouth.

188113 anos

Marinha Real

Inicia o treinamento naval e passa a adolescência entre navios, exames e uma carreira de serviço.

189931 anos

Clements Markham

Reencontra o presidente da Royal Geographical Society, que buscava um oficial para liderar a nova expedição britânica.

190133 anos

Discovery

Parte como comandante de uma missão nacional de exploração e ciência na região do mar de Ross.

Primeiro comando polar
190234 anos

82°17'S

Scott, Shackleton e Wilson estabelecem novo recorde de latitude sul, mas retornam devastados pela fome e pelo escorbuto.

190435 anos

Um herói britânico

A Discovery regressa depois de quase três anos, com mapas, observações científicas e a reputação pública de Scott consolidada.

190840 anos

Kathleen Bruce

Casa-se com a escultora. O filho Peter nasceria no ano seguinte e se tornaria naturalista.

191042 anos

Terra Nova

Deixa a Grã-Bretanha com uma grande equipe científica e o projeto de alcançar o Polo Sul.

out 191042 anos

O telegrama

Em Melbourne, recebe a mensagem de Amundsen: o Fram segue para a Antártica. A disputa deixa de ser abstrata.

191142–43 anos

Ciência no inverno

Enquanto se prepara a marcha, equipes estudam clima, geologia, animais e magnetismo a partir de cabo Evans.

1 nov 191143 anos

A marcha polar

Homens, pôneis, cães e trenós motorizados partem em etapas. Falhas e condições ruins transferem cada vez mais carga aos homens.

4 jan 191243 anos

Cinco para o Polo

Scott escolhe Wilson, Bowers, Oates e Edgar Evans para o grupo final — um homem além da divisão prevista de rações e barraca.

17 jan 191243 anos

Polheim

O grupo encontra a bandeira norueguesa e a barraca de Amundsen. O Polo fora alcançado 34 dias antes.

“O pior aconteceu”
17 fev 191243 anos

Morre Edgar Evans

Depois de uma queda e rápida deterioração física, o marinheiro é o primeiro do grupo a morrer na volta.

16–17 mar43 anos

Oates deixa a barraca

Com os pés gravemente congelados, sai durante uma tempestade para não reduzir as chances dos outros. Não retorna.

19 mar 191243 anos

O último acampamento

Scott, Wilson e Bowers montam a barraca a cerca de 18 quilômetros do depósito One Ton. A tempestade impede o avanço.

29 mar 191243 anos

A última página

Scott registra sua anotação final. A data exata da morte dos três homens permanece desconhecida.

“For God's sake look after our people”
12 nov 1912Após a morte

A barraca encontrada

Uma equipe de busca localiza os corpos, diários, cartas, registros científicos e 16 quilos de fósseis.

1913Legado

A história chega ao mundo

Os diários são publicados e os resultados científicos começam a revelar a dimensão completa da Terra Nova.

Para além da corrida

Três histórias que
definiram Scott.

A primeira marcha mostrou o tamanho do continente. A segunda chegou ao Polo. O diário preservou o caminho entre a derrota e o fim.

011902 · DiscoveryA primeira tentativa de seguir para o sulScott, Shackleton e Wilson entraram numa região sem mapas suficientes e voltaram quase irreconhecíveis.

Antes da corrida com Amundsen, Scott precisou descobrir o que significava simplesmente viajar pela Antártica.

Em 2 de novembro de 1902, Scott, Ernest Shackleton e Edward Wilson partiram com cães e equipes de apoio. Nenhum dos três dominava condução de trenós caninos; a alimentação era insuficiente para homens e animais, e o terreno prolongou distâncias que no mapa pareciam controláveis.

O primeiro recorde e seu preço

Em 30 de dezembro alcançaram 82°17'S, a maior latitude sul registrada. O Polo ainda estava a centenas de quilômetros. A retirada tornou-se uma luta contra fome, cegueira da neve, escorbuto e exaustão. Shackleton foi o mais debilitado e acabou enviado para casa, decisão que alimentaria tensões posteriores entre os dois exploradores.

A marcha não se aproximou realmente do Polo, mas demonstrou a escala da plataforma de Ross e expôs problemas de logística polar. Scott voltou convencido de que poderia aprender com os erros. A Discovery havia transformado um oficial naval em explorador — e o sul numa questão ainda inacabada.

021911–1912 · Terra NovaA corrida terminada antes de Scott saberDuas rotas, duas filosofias e 34 dias separaram a bandeira norueguesa da chegada britânica.

Scott saiu de cabo Evans sem saber se Amundsen já havia partido, onde estava ou quão rápido avançava.

Seu sistema combinava tratores motorizados, pôneis manchurianos, cães e tração humana. Os motores falharam cedo; a neve profunda castigou os pôneis; os homens assumiram os trenós. A rota pelo glaciar Beardmore era conhecida, mas longa. Amundsen partira de uma base mais próxima, com esquiadores especializados e cães.

Uma decisão para cinco

No planalto, Scott selecionou quatro companheiros para acompanhá-lo, transformando em cinco um grupo previsto para quatro. Barraca, fogareiro e rações precisaram acomodar a mudança. Em 16 de janeiro, Bowers viu uma marca escura. No dia seguinte encontraram a barraca Polheim.

Amundsen deixara uma carta para o rei da Noruega e pedira que Scott a entregasse se os noruegueses não voltassem. A derrota foi inequívoca, mas o grupo ainda precisava percorrer mais de 1.300 quilômetros até a base. O Polo, imaginado como clímax, tornou-se apenas o ponto onde começou a parte decisiva da história.

031912 · Caminho de voltaOnze milhas entre a vida e o fimFrio, vento, combustível insuficiente e deterioração física fecharam o grupo a uma curta marcha do próximo depósito.

A tragédia não aconteceu de uma vez. Ela se aproximou em etapas registradas diariamente.

Edgar Evans piorou depois de quedas e morreu em 17 de fevereiro. Lawrence Oates, com os pés congelados, tornou-se incapaz de manter o ritmo. Em meados de março, saiu da barraca durante uma tempestade, gesto que o diário de Scott registrou como sacrifício voluntário.

A tempestade final

Scott, Wilson e Bowers chegaram a cerca de 18 quilômetros do depósito One Ton. Ventos e temperaturas extremas impediram a marcha. O combustível acabava; os alimentos também. Dentro da barraca, Scott escreveu cartas às famílias e defendeu seus companheiros e a expedição.

A última anotação é datada de 29 de março. Os corpos foram encontrados em novembro junto com diários, fotografias e amostras geológicas transportadas até o fim. Durante décadas, essas páginas sustentaram a imagem heroica de Scott; depois alimentaram críticas a seu planejamento. Lidas hoje, mostram algo menos simples: um comandante consciente de suas decisões, tentando dar sentido à morte que se aproximava.

A ciência que voltou

O Polo tornou Scott famoso.
A pesquisa explica a expedição.

Mesmo durante a marcha final, o grupo carregou fósseis que ajudariam a contar a história geológica do continente.

A Terra Nova reuniu meteorologistas, geólogos, biólogos, físicos e fotógrafos numa operação científica de escala inédita para o programa britânico.

Equipes estudaram o clima, mapearam cadeias de montanhas, registraram a vida marinha, pesquisaram pinguins-imperadores e realizaram observações magnéticas. As imagens de Herbert Ponting e as fotografias feitas pelo próprio Scott preservaram paisagens, trabalho e cotidiano com uma força documental rara.

Os 16 quilos de fósseis encontrados com o grupo polar incluíam Glossopteris, planta que ajudava a relacionar a Antártica a outros continentes do antigo Gondwana. A corrida ao Polo terminou em tragédia; os dados, espécimes, mapas e diários voltaram e continuaram produzindo conhecimento muito depois dela.

A conversa continua

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