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Roald Amundsen e Helmer Hanssen fazendo observações no Polo Sul

Biografias Extremos · 005

Roald Amundsen

O explorador que fez da preparação uma arma: aprendeu com os inuítes, dominou cães e esquis e chegou primeiro onde o mundo acreditava existir apenas improviso e coragem.

1872–1928Borge, NoruegaExplorador polar · Navegador · Aviador
Polo Sul · 14 de dezembro de 1911
na Passagem Noroeste
14.12chegada ao Polo Sul em 1911
99dias até o Polo e de volta
3.000km na marcha polar

O homem que chegou primeiro

O triunfo não começou no Polo.
Começou anos antes.

Cada grama retirada do trenó, cada depósito marcado e cada técnica aprendida já fazia parte da chegada.

Roald Engelbregt Gravning Amundsen nasceu em 16 de julho de 1872, numa família norueguesa de capitães e armadores.

Desde a adolescência preparou o corpo para os polos. Na expedição Belgica, viveu o primeiro inverno involuntário na Antártica. Na pequena Gjøa, atravessou a Passagem Noroeste e permaneceu dois anos junto aos Netsilik Inuit, observando vestuário, trenós, cães, alimentação e maneiras de habitar o frio.

Quando decidiu buscar o Polo Sul, não apostou numa força abstrata. Escolheu a Baía das Baleias, mais próxima do objetivo; instalou depósitos largos e visíveis; aliviou trenós; usou esquis e equipes de cães. Chegou 34 dias antes de Robert Falcon Scott. Depois voltou ao Ártico por navio e pelo ar, até desaparecer em 1928 quando partiu para procurar sobreviventes de uma expedição rival.

O método Amundsen

A aventura como
engenharia do detalhe.

Seu êxito polar combinava conhecimento local, especialização da equipe, logística redundante e adaptação sem sentimentalismo.

01

Aprender antes de liderar

Com os Netsilik Inuit, entendeu que roupa de pele, cães e técnicas de abrigo eram soluções desenvolvidas para aquele ambiente.

02

Escolher especialistas

Esquiadores, navegadores, carpinteiros e condutores de cães tinham funções claras e experiência compatível com a missão.

03

Projetar a margem

Depósitos sinalizados em largura, equipamentos testados e rotas medidas reduziam o número de surpresas possíveis.

04

Mudar de tecnologia

Depois de navios, trenós e esquis, adotou hidroaviões e dirigíveis para transformar o alcance da exploração polar.

Uma vida entre dois polos

55 anos.
Mar, gelo e céu.

Da primeira invernagem antártica ao voo transártico, a evolução de um explorador obcecado por preparação.

FormaçãoGrandes rotasAviação e legado
18720 anos

Nasce na Noruega

Roald Amundsen nasce em 16 de julho, em Borge, numa família ligada à navegação.

188715 anos

O chamado dos polos

A leitura sobre a expedição perdida de John Franklin transforma a exploração polar em projeto de vida.

189321 anos

Aprendiz no mar

Abandona os estudos de medicina e embarca para construir experiência como marinheiro.

1897–9925–26 anos

Belgica

Integra a expedição que realiza a primeira invernagem na Antártica. Escorbuto, escuridão e isolamento viram aprendizado brutal.

Primeiro inverno polar
190028 anos

Capitão

Obtém sua licença de mestre e prepara uma expedição pequena o bastante para depender de sua própria equipe.

190331 anos

Gjøa

Parte com seis companheiros para descobrir uma rota navegável através da Passagem Noroeste.

1903–0531–33 anos

A escola inuit

Durante duas invernagens na ilha King William, aprende com os Netsilik técnicas decisivas de mobilidade e sobrevivência.

190634 anos

Passagem Noroeste

A Gjøa completa a primeira navegação integral da rota entre os oceanos Atlântico e Pacífico.

Um labirinto finalmente atravessado
190937 anos

O plano muda de polo

Com Cook e Peary reivindicando o Polo Norte, Amundsen decide buscar primeiro o Sul e mantém a mudança em segredo.

191038 anos

“Fram segue para a Antártica”

Da Madeira, informa à tripulação e a Scott que seu destino real é a Baía das Baleias.

set 191139 anos

A falsa partida

Parte cedo demais, enfrenta −55°C e recua. A ruptura com Hjalmar Johansen revela o lado autoritário de seu comando.

20 out 191139 anos

Rumo ao Polo

Amundsen, Hanssen, Wisting, Hassel e Bjaaland deixam Framheim com quatro trenós e 52 cães.

14 dez 191139 anos

Polo Sul

Os cinco chegam a 90° Sul, fazem observações durante três dias e deixam a barraca Polheim.

Primeiros no Polo Sul
26 jan 191239 anos

Todos de volta

O grupo retorna a Framheim após 99 dias, cerca de 3.000 quilômetros e com onze cães.

1918–2046–48 anos

Maud e a Passagem Nordeste

Sua nova expedição navega a costa siberiana e completa a rota, embora o projeto de derivar sobre o Polo não se realize.

192552 anos

O Ártico pelo ar

Com Lincoln Ellsworth, chega a 87°44'N em dois hidroaviões e sobrevive a semanas preso sobre o gelo.

12 mai 192653 anos

Norge sobre o Polo Norte

O dirigível cruza o Polo e segue de Svalbard ao Alasca. Amundsen e Wisting tornam-se os primeiros a alcançar ambos os polos.

Primeira travessia aérea do Ártico
18 jun 192855 anos

A última partida

Desaparece com a tripulação do hidroavião Latham 47 ao procurar sobreviventes do dirigível Italia.

Para além dos primeiros lugares

Três histórias que
construíram o método.

Antes da bandeira havia anos de observação. Depois dos trenós vieram motores e um novo horizonte pelo céu.

011903–1906 · GjøaO labirinto da Passagem NoroesteUm pequeno navio, sete homens e três anos para atravessar a rota que havia destruído grandes expedições.

Amundsen escolheu uma embarcação pequena porque queria passar onde o gelo não permitiria manobrar um grande navio.

A Gjøa deixou Oslo em junho de 1903. Com apenas 47 toneladas e seis companheiros além do comandante, podia explorar canais rasos e permanecer longe de uma estrutura de apoio. A expedição também pretendia determinar a posição do polo norte magnético.

Dois invernos de aprendizado

Na ilha King William, a tripulação estabeleceu Gjøahavn. Ali Amundsen conviveu com os Netsilik Inuit. Observou roupas de pele que preservavam calor sem reter umidade, trenós leves, condução de cães e maneiras de construir abrigo. Esse conhecimento seria decisivo na Antártica.

Em agosto de 1905, a Gjøa encontrou um navio vindo do Pacífico: a continuidade da passagem estava provada. O gelo ainda obrigou a uma terceira invernagem antes da chegada ao Alasca em 1906. Amundsen não havia apenas aberto uma rota; havia transformado sua ideia de como um explorador deveria aprender com quem já conhecia o ambiente.

021911 · Polo SulA corrida preparada no detalheEnquanto o mundo via dois homens correndo, Amundsen via depósitos, pesos, cães, esquis e margens de segurança.

A vantagem de Amundsen não nasceu de uma única escolha. Foi a soma de centenas de decisões pequenas.

Framheim ficava 96 quilômetros mais perto do Polo que a base de Scott. Antes do inverno, os noruegueses depositaram três toneladas de suprimentos e marcaram cada área com bandeiras laterais para que a rota de retorno não dependesse de encontrar um único ponto. Durante os meses escuros, reduziram o peso dos trenós e ajustaram botas, óculos, caixas e amarrações.

Cinquenta e dois cães

A partida definitiva ocorreu em 20 de outubro. Cães forneciam velocidade e também faziam parte de uma logística dura: alguns seriam abatidos para alimentar homens e os animais restantes. Após cruzar a plataforma de Ross, o grupo abriu uma rota pelo glaciar Axel Heiberg e alcançou o planalto polar.

Em 14 de dezembro, Amundsen, Helmer Hanssen, Oscar Wisting, Sverre Hassel e Olav Bjaaland chegaram ao Polo. Passaram três dias fazendo observações para cobrir a incerteza do ponto geográfico e voltaram por uma rota abastecida. Os cinco regressaram em 26 de janeiro. A eficiência não eliminava o risco nem as decisões controversas; mostrava quanto do êxito podia ser construído antes do primeiro passo.

031926 · Dirigível NorgeDo gelo visto pelo céuDepois de aprender a atravessar lentamente os polos, Amundsen decidiu sobrevoar um oceano inteiro.

O Norge reuniu um explorador norueguês, um financiador americano, um engenheiro italiano e dezesseis pessoas numa aeronave sobre o vazio cartográfico.

O dirigível semirrígido foi projetado e pilotado por Umberto Nobile. Lincoln Ellsworth financiou a expedição; Amundsen a liderou; Hjalmar Riiser-Larsen dividiu a pilotagem. Partiram de Ny-Ålesund em 11 de maio de 1926.

Um oceano sem terra escondida

À 1h25 de 12 de maio, passaram sobre o Polo Norte e lançaram as bandeiras da Noruega, dos Estados Unidos e da Itália. Seguiram sobre uma região ainda não observada diretamente, sem encontrar o continente que algumas teorias imaginavam existir. Nevoeiro, gelo sobre o casco e problemas de comunicação acompanharam a travessia até Teller, no Alasca.

O voo é considerado a primeira travessia comprovada do Oceano Ártico pelo ar. Dois anos depois, quando o dirigível Italia de Nobile caiu, Amundsen deixou antigas disputas de lado e partiu para o resgate. Seu hidroavião desapareceu no mar de Barents. O explorador que passara a vida reduzindo incertezas terminou dentro de uma delas.

A conversa continua

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