Everest sem oxigênio
Em 1978, com Peter Habeler, demonstrou que um ser humano podia alcançar 8.848 metros sem respirar oxigênio engarrafado.

Biografias Extremos · 001
O maior alpinista de todos os tempos. Ele não apenas escalou as montanhas mais altas do planeta. Mudou para sempre a maneira de estar nelas.
O explorador de limites
Para Messner, o valor da aventura não estava no recorde, mas no encontro sem atalhos entre a natureza humana e a montanha.
A carreira de Reinhold Messner redefiniu o montanhismo de alta altitude. No lugar de caravanas, quilômetros de cordas e uma infraestrutura que domesticava a montanha, ele escolheu velocidade, autonomia e exposição.
Nascido em 17 de setembro de 1944, em Bressanone, no Tirol do Sul, Messner cresceu entre as Dolomitas. Aos cinco anos já subia seu primeiro pico de 3.000 metros com o pai. Nos anos 1960, fez centenas de ascensões nos Alpes e transformou-se em um dos escaladores técnicos mais ousados da Europa.
O Himalaia ampliou a escala — e o preço. Em 1970, depois de abrir a imensa Face Rupal do Nanga Parbat com o irmão Günther, atravessou a montanha e sobreviveu à descida. Günther morreu, provavelmente atingido por uma avalanche. Reinhold voltou com graves congelamentos e perdeu sete dedos dos pés. A tragédia permaneceria como a fratura central de sua vida.
Ele seguiu adiante com uma ideia radical: uma grande montanha deveria ser escalada com o mínimo de meios, sem oxigênio suplementar e sem reduzir o risco a uma operação industrial. Do Everest aos polos, Messner passou a explorar menos a altitude que os limites da própria possibilidade humana.
A revolução Messner
Seus feitos importam tanto pelos cumes quanto pelo método. Messner ajudou a transferir para as grandes altitudes a ética leve, rápida e autônoma do estilo alpino.
Em 1978, com Peter Habeler, demonstrou que um ser humano podia alcançar 8.848 metros sem respirar oxigênio engarrafado.
Em 1980, subiu pela Face Norte, durante a monção, sem oxigênio, parceiro, cordas fixas ou apoio de altitude.
Em 1986, tornou-se o primeiro a completar os 14 oitomil — todos escalados sem oxigênio suplementar.
Seu legado tornou leveza, responsabilidade pessoal e poucos recursos uma referência ética do himalaísmo moderno.
Uma vida em ascensão
Acompanhe a corda: do primeiro pico nas Dolomitas à construção de um legado mundial. As idades indicam quantos anos Messner tinha — ou completou — em cada etapa.
Reinhold Andreas Messner nasce em 17 de setembro, em Bressanone, no Tirol do Sul. Cresce no vale de Funes, diante das torres das Dolomitas.
Com o pai, sobe o Sass Rigais. A infância vira uma escola vertical; até 1964, acumularia cerca de 500 ascensões nos Alpes Orientais.
A origemAbre uma nova linha na Face Norte do Ortler. É o começo público de uma geração disposta a escalar mais rápido e com menos meios.
Primeiras ascensões, invernais e solos em paredes como Agnér, Eiger, Marmolada, Civetta e Droites consolidam sua reputação técnica.
Reinhold e Günther fazem a primeira ascensão da Face Rupal e atravessam o Nanga Parbat. Günther morre na descida pela Face Diamir; Reinhold sobrevive com severos congelamentos.
Primeira ascensão · 8.125 mAbre a Face Sul da oitava montanha mais alta do mundo e realiza a primeira ascensão do Manaslu sem oxigênio suplementar.
Com Peter Habeler, abre uma linha na imensa Face Sul do teto das Américas, levando sua abordagem rápida para os Andes.
Messner e Habeler sobem o Gasherbrum I pela Face Noroeste sem oxigênio, cordas fixas ou campos abastecidos — o primeiro oitomil escalado em estilo alpino.
Uma nova filosofiaEm maio, alcança o Everest com Peter Habeler sem oxigênio suplementar, algo considerado impossível. Em agosto, faz no Nanga Parbat a primeira ascensão solo integral de um oitomil desde o campo-base.
Duplo marco históricoChega ao cume do K2 com Michael Dacher, sem oxigênio suplementar. No mesmo ano, participa de uma operação de resgate no Ama Dablam.
Pela vertente norte e durante a monção, escala o Everest completamente só e sem oxigênio suplementar. Abre uma variante pela Face Norte e alcança o cume em 20 de agosto.
O impossível individualSobe o único oitomil inteiramente situado no Tibete e abre, com Friedl Mutschlechner, uma nova linha no cume central do Chamlang.
Escala Kangchenjunga por nova rota na Face Norte, Gasherbrum II e Broad Peak. É o primeiro a completar três montanhas de 8.000 metros em uma única temporada.
Alcança o sexto pico mais alto da Terra pela Face Sudoeste, em estilo alpino, com Hans Kammerlander e Michael Dacher.
Com Hans Kammerlander, liga Gasherbrum II e Gasherbrum I sem retornar ao campo-base — a primeira travessia encadeada de dois oitomil.
Primeira mundialAbre a Face Noroeste do Annapurna e escala o Dhaulagiri pelo Esporão Nordeste, mantendo sua busca pela coleção completa.
Depois do Makalu, chega ao Lhotse em 16 de outubro. Torna-se a primeira pessoa a completar as 14 montanhas acima de 8.000 metros — sem oxigênio suplementar.
A coleção completaCom Arved Fuchs, atravessa o continente a pé e com esquis: cerca de 2.800 quilômetros, sem veículos motorizados ou cães de trenó.
Um novo horizonteFaz uma travessia diagonal de aproximadamente 2.200 quilômetros. No mesmo ano, inaugura o Alpine Curiosa Museum.
Abre o MMM Juval. A montanha deixa de ser apenas cenário de expedições e passa a ser preservada como cultura, memória e experiência.
Representa a Itália no Parlamento Europeu pelo grupo Verdes/Aliança Livre Europeia, atuando em temas de território, transporte, turismo e relações exteriores.
Atravessa longitudinalmente o deserto da Mongólia a pé. Também inaugura o MMM Ortles, dedicado ao mundo do gelo.
Recebe a mais importante distinção honorária do alpinismo por uma obra que transformou a prática e a imaginação das grandes montanhas.
Abre o MMM Corones, estreia como diretor de cinema com Still Alive e recebe, com Krzysztof Wielicki, o Prêmio Princesa das Astúrias dos Esportes.
Aos 81, segue criando filmes, escrevendo e expandindo espaços dedicados à cultura alpina. Em 2025, estreou o filme K2 — The Big Fight e recebe o European Culture Award.
O legado continua
A conversa continua
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