Velocidade
O cronômetro não parava no cume. Descer, recuperar-se e alcançar a próxima montanha eram partes do mesmo desafio.

O montanhista que transformou o impossível em prazo — e mudou para sempre a escala de velocidade nos oito-mil.
Disseram que levaria anos
Ele não tornou as montanhas menores. Mudou nossa percepção do que era possível fazer entre elas.
Nirmal Purja nasceu em 25 de julho de 1983, no distrito de Myagdi, próximo ao Dhaulagiri. Antes das montanhas vieram os Gurkhas e o Special Boat Service, unidade das forças especiais britânicas.
Começou a escalar apenas em 2012. Sete anos depois, deixou a carreira militar e anunciou um projeto que parecia separar ambição de absurdo: subir as 14 montanhas do planeta com mais de 8.000 metros em até sete meses. Chamou-o de Project Possible 14/7.
Do Annapurna, em 23 de abril, ao Shishapangma, em 29 de outubro de 2019, passaram-se seis meses e seis dias. Nims usou oxigênio suplementar, helicópteros entre algumas montanhas, cordas fixas e uma forte equipe nepalesa. Não ocultou esses recursos: a logística fazia parte do desafio tanto quanto a altitude.
A classificação histórica exige uma precisão. Uma revisão posterior dos “cumes verdadeiros” considerou incompletas suas chegadas de 2019 ao Dhaulagiri e ao Manaslu, corrigidas em 2021. O impacto do Project Possible, contudo, permaneceu: ele transformou uma busca de anos numa operação medida em meses. Em 2024, Nims completou uma segunda volta pelos 14 pontos culminantes reconhecidos — desta vez sem oxigênio suplementar — em 2 anos e 150 dias. Em junho de 2026, no Makalu, elevou seu total para 56 ascensões acima de 8.000 metros, 28 delas sem O₂.
O método Nimsdai
Subir rápido era apenas uma parte. A conquista dependia de deslocamento, aclimatação contínua, previsão, comunicação e decisões tomadas sem margem para demora.
O cronômetro não parava no cume. Descer, recuperar-se e alcançar a próxima montanha eram partes do mesmo desafio.
Mingma David Sherpa, Geljen Sherpa e outros montanhistas nepaleses foram decisivos. Nims trabalhou para colocar esses nomes no centro da narrativa.
Oxigênio, helicópteros, cordas, previsões e equipes profissionais foram usados abertamente como ferramentas de um projeto contemporâneo.
Fotografia, filme e redes sociais fizeram do montanhismo nepalês uma história contada diretamente ao mundo, não apenas como apoio de estrangeiros.
Uma vida em alta velocidade
Do primeiro contato com a altitude ao Broad Peak, os acontecimentos que construíram a história de Nimsdai.
Nirmal Purja nasce em 25 de julho, em Myagdi, região próxima ao maciço do Dhaulagiri. Ainda criança, muda-se com a família para Chitwan.
Ingressa no Exército Britânico. Disciplina, resistência e trabalho de equipe tornam-se a base do método que levaria às montanhas.
É selecionado para o Special Boat Service, ligado à Marinha Real Britânica, e torna-se o primeiro Gurkha conhecido a passar por sua seleção.
Durante uma viagem ao campo-base do Everest, escala o Lobuche East, de 6.119 metros. É seu primeiro grande cume e o início tardio de uma ascensão vertiginosa.
A primeira montanhaRealiza sua primeira ascensão registrada de um oito-mil na montanha que domina a região onde nasceu.
Alcança pela primeira vez o ponto mais alto do planeta. No ano seguinte, já transformaria a velocidade entre cumes em sua assinatura.
Completa os três oito-mil em 5 dias, 3 horas e 35 minutos. A sequência antecipa a lógica do Project Possible.
O ensaio geralRecebe o título de Member of the Order of the British Empire por sua contribuição ao montanhismo de alta altitude.
Chega ao Annapurna I e abre o Project Possible. Seguem Dhaulagiri, Kangchenjunga, Everest, Lhotse e Makalu: seis oito-mil em 31 dias.
1 a 6 de 14Fotografa dezenas de pessoas comprimidas na aresta do cume. A imagem torna-se símbolo mundial da superlotação na montanha.
Escala Nanga Parbat, Gasherbrum I, Gasherbrum II, K2 e Broad Peak. No K2, sua equipe ajuda a reabrir uma rota que muitos julgavam encerrada para a temporada.
7 a 11 de 14Alcança o Cho Oyu em 23 de setembro e o Manaslu quatro dias depois. Falta apenas o Shishapangma — e uma autorização chinesa.
12 e 13 de 14Chega ao Shishapangma. Sob os critérios aceitos naquele momento, completa as 14 montanhas em 189 dias — contra um recorde anterior de quase oito anos.
6 meses e 6 diasDez montanhistas nepaleses chegam juntos ao cume na primeira ascensão invernal do K2. Nims é o único do grupo a subir sem oxigênio suplementar.
A última fronteira de invernoRetorna ao Dhaulagiri e ao Manaslu para alcançar os pontos culminantes reconhecidos após a revisão internacional dos “cumes verdadeiros”.
O documentário Nothing Is Impossible leva o Project Possible a uma audiência global e transforma Nimsdai em um dos rostos mais conhecidos do montanhismo.
Entre Kangchenjunga, em maio de 2022, e Shishapangma, em outubro de 2024, completa novamente os 14 cumes verdadeiros — desta vez sem oxigênio suplementar — em 2 anos e 150 dias.
14 oito-mil sem O₂No Nanga Parbat, afirma completar sua 50ª ascensão de uma montanha acima de 8.000 metros — 22 delas sem oxigênio suplementar.
Alcança o Makalu sem oxigênio suplementar. É sua 56ª ascensão acima de 8.000 metros e a 28ª sem oxigênio — exatamente metade do total.
56 × 8.000 m · 28 sem O₂Uma avalanche atinge uma expedição internacional entre os campos 2 e 3, por volta de 6.600 metros. Nims e outros nove montanhistas morrem.
A última montanhaApós dias de buscas em condições perigosas, equipes de altitude localizam e levam o corpo de Nims ao campo-base, com apoio de helicópteros militares paquistaneses.
A conversa continua
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