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Nirmal Purja em uma montanha de grande altitude

Biografias Extremos · 007

Nirmal Purja

O montanhista que transformou o impossível em prazo — e mudou para sempre a escala de velocidade nos oito-mil.

1983–2026Myagdi, NepalMontanhista · Líder · Ex-militar
Nada é impossível
56cumes acima de 8.000 m
28cumes sem O₂ suplementar
14oito-mil em 6 meses e 6 dias
escalada invernal do K2

Disseram que levaria anos

Nimsdai respondeu
com 189 dias.

Ele não tornou as montanhas menores. Mudou nossa percepção do que era possível fazer entre elas.

Nirmal Purja nasceu em 25 de julho de 1983, no distrito de Myagdi, próximo ao Dhaulagiri. Antes das montanhas vieram os Gurkhas e o Special Boat Service, unidade das forças especiais britânicas.

Começou a escalar apenas em 2012. Sete anos depois, deixou a carreira militar e anunciou um projeto que parecia separar ambição de absurdo: subir as 14 montanhas do planeta com mais de 8.000 metros em até sete meses. Chamou-o de Project Possible 14/7.

Do Annapurna, em 23 de abril, ao Shishapangma, em 29 de outubro de 2019, passaram-se seis meses e seis dias. Nims usou oxigênio suplementar, helicópteros entre algumas montanhas, cordas fixas e uma forte equipe nepalesa. Não ocultou esses recursos: a logística fazia parte do desafio tanto quanto a altitude.

A classificação histórica exige uma precisão. Uma revisão posterior dos “cumes verdadeiros” considerou incompletas suas chegadas de 2019 ao Dhaulagiri e ao Manaslu, corrigidas em 2021. O impacto do Project Possible, contudo, permaneceu: ele transformou uma busca de anos numa operação medida em meses. Em 2024, Nims completou uma segunda volta pelos 14 pontos culminantes reconhecidos — desta vez sem oxigênio suplementar — em 2 anos e 150 dias. Em junho de 2026, no Makalu, elevou seu total para 56 ascensões acima de 8.000 metros, 28 delas sem O₂.

O método Nimsdai

Velocidade era
uma operação inteira.

Subir rápido era apenas uma parte. A conquista dependia de deslocamento, aclimatação contínua, previsão, comunicação e decisões tomadas sem margem para demora.

01

Velocidade

O cronômetro não parava no cume. Descer, recuperar-se e alcançar a próxima montanha eram partes do mesmo desafio.

02

Equipe

Mingma David Sherpa, Geljen Sherpa e outros montanhistas nepaleses foram decisivos. Nims trabalhou para colocar esses nomes no centro da narrativa.

03

Logística

Oxigênio, helicópteros, cordas, previsões e equipes profissionais foram usados abertamente como ferramentas de um projeto contemporâneo.

04

Visibilidade

Fotografia, filme e redes sociais fizeram do montanhismo nepalês uma história contada diretamente ao mundo, não apenas como apoio de estrangeiros.

Uma vida em alta velocidade

43 anos.
Uma década que mudou os oito-mil.

Do primeiro contato com a altitude ao Broad Peak, os acontecimentos que construíram a história de Nimsdai.

FormaçãoProject PossibleRecordes e legado
19830 anos

Nasce no Nepal

Nirmal Purja nasce em 25 de julho, em Myagdi, região próxima ao maciço do Dhaulagiri. Ainda criança, muda-se com a família para Chitwan.

200320 anos

Brigada dos Gurkhas

Ingressa no Exército Britânico. Disciplina, resistência e trabalho de equipe tornam-se a base do método que levaria às montanhas.

200926 anos

Forças especiais

É selecionado para o Special Boat Service, ligado à Marinha Real Britânica, e torna-se o primeiro Gurkha conhecido a passar por sua seleção.

201229 anos

Lobuche East

Durante uma viagem ao campo-base do Everest, escala o Lobuche East, de 6.119 metros. É seu primeiro grande cume e o início tardio de uma ascensão vertiginosa.

A primeira montanha
201430 anos

Dhaulagiri

Realiza sua primeira ascensão registrada de um oito-mil na montanha que domina a região onde nasceu.

201632 anos

Everest

Alcança pela primeira vez o ponto mais alto do planeta. No ano seguinte, já transformaria a velocidade entre cumes em sua assinatura.

mai 201733 anos

Everest, Lhotse e Makalu

Completa os três oito-mil em 5 dias, 3 horas e 35 minutos. A sequência antecipa a lógica do Project Possible.

O ensaio geral
201834 anos

MBE

Recebe o título de Member of the Order of the British Empire por sua contribuição ao montanhismo de alta altitude.

23 abr 201935 anos

O cronômetro começa

Chega ao Annapurna I e abre o Project Possible. Seguem Dhaulagiri, Kangchenjunga, Everest, Lhotse e Makalu: seis oito-mil em 31 dias.

1 a 6 de 14
22 mai 201935 anos

A fila do Everest

Fotografa dezenas de pessoas comprimidas na aresta do cume. A imagem torna-se símbolo mundial da superlotação na montanha.

jul 201935–36 anos

Cinco gigantes em 23 dias

Escala Nanga Parbat, Gasherbrum I, Gasherbrum II, K2 e Broad Peak. No K2, sua equipe ajuda a reabrir uma rota que muitos julgavam encerrada para a temporada.

7 a 11 de 14
set 201936 anos

Cho Oyu e Manaslu

Alcança o Cho Oyu em 23 de setembro e o Manaslu quatro dias depois. Falta apenas o Shishapangma — e uma autorização chinesa.

12 e 13 de 14
29 out 201936 anos

Mission achieved

Chega ao Shishapangma. Sob os critérios aceitos naquele momento, completa as 14 montanhas em 189 dias — contra um recorde anterior de quase oito anos.

6 meses e 6 dias
16 jan 202137 anos

K2 no inverno

Dez montanhistas nepaleses chegam juntos ao cume na primeira ascensão invernal do K2. Nims é o único do grupo a subir sem oxigênio suplementar.

A última fronteira de inverno
202138 anos

Cumes corrigidos

Retorna ao Dhaulagiri e ao Manaslu para alcançar os pontos culminantes reconhecidos após a revisão internacional dos “cumes verdadeiros”.

202138 anos

14 Peaks

O documentário Nothing Is Impossible leva o Project Possible a uma audiência global e transforma Nimsdai em um dos rostos mais conhecidos do montanhismo.

2022–2438–41 anos

A segunda volta pelos 14

Entre Kangchenjunga, em maio de 2022, e Shishapangma, em outubro de 2024, completa novamente os 14 cumes verdadeiros — desta vez sem oxigênio suplementar — em 2 anos e 150 dias.

14 oito-mil sem O₂
3 jul 202541 anos

50 vezes acima de 8.000

No Nanga Parbat, afirma completar sua 50ª ascensão de uma montanha acima de 8.000 metros — 22 delas sem oxigênio suplementar.

4 jun 202642 anos

56 cumes. Metade sem O₂.

Alcança o Makalu sem oxigênio suplementar. É sua 56ª ascensão acima de 8.000 metros e a 28ª sem oxigênio — exatamente metade do total.

56 × 8.000 m · 28 sem O₂
30 jul 202643 anos

Broad Peak

Uma avalanche atinge uma expedição internacional entre os campos 2 e 3, por volta de 6.600 metros. Nims e outros nove montanhistas morrem.

A última montanha
5 ago 202643 anos

Recuperado

Após dias de buscas em condições perigosas, equipes de altitude localizam e levam o corpo de Nims ao campo-base, com apoio de helicópteros militares paquistaneses.

Para além dos recordes

Três histórias que
definiram Nimsdai.

Os números explicam o tamanho dos feitos. Não explicam como eles aconteceram. Abra cada capítulo.

012019 · Project PossibleTransformar anos em 189 diasQuatorze montanhas, quatro países e uma operação que fez do deslocamento parte da escalada.

Quando Nims prometeu escalar todos os oito-mil em sete meses, o recorde existente era de 7 anos e 310 dias.

O projeto começou sem a segurança financeira esperada. Ele deixou as forças especiais, hipotecou a casa e chegou ao Annapurna com uma parcela pequena do orçamento garantida. A ideia, porém, era precisa: dividir as montanhas em três fases, manter o corpo aclimatado e eliminar semanas de espera entre expedições.

Seis montanhas em 31 dias

O Annapurna abriu a contagem em 23 de abril. Dhaulagiri e Kangchenjunga vieram em maio. No dia 22, Nims alcançou Everest e Lhotse; dois dias depois, estava no Makalu. Helicópteros encurtavam transferências, o oxigênio ajudava desempenho e recuperação, e equipes nepalesas preparavam diferentes frentes. O sistema não imitava o alpinismo leve de outra geração. Era uma máquina contemporânea de altitude.

No Paquistão, a sequência ficou ainda mais concentrada. Nanga Parbat, Gasherbrum I, Gasherbrum II, K2 e Broad Peak foram escalados em 23 dias. No K2, após outras equipes recuarem diante das condições, Nims e seus companheiros ajudaram a reabrir a passagem do Bottleneck e devolveram uma oportunidade à temporada.

A última permissão

Cho Oyu e Manaslu deixaram apenas o Shishapangma. O obstáculo final não era físico, mas político: a China precisava autorizar uma expedição ao Tibete. A permissão chegou depois de intensa articulação. Às 8h58 de 29 de outubro, Nims estava no cume. O cronômetro parou em seis meses e seis dias.

A revisão posterior dos cumes reconheceu que Dhaulagiri e Manaslu não haviam terminado nos pontos culminantes verdadeiros em 2019; Nims os corrigiu em 2021. A ressalva altera a tabela oficial, não o efeito cultural do projeto. Depois daqueles 189 dias, completar os 14 oito-mil nunca mais pareceu pertencer à mesma escala de tempo.

022021 · K2Dez homens esperando no cumeA última grande fronteira de inverno foi vencida por uma equipe que decidiu chegar junta.

Todas as outras montanhas acima de 8.000 metros já haviam sido escaladas no inverno. Uma permanecia: K2.

Durante décadas, expedições fortíssimas enfrentaram frio extremo, ventos violentos e uma montanha tecnicamente exigente. Antes de 2021, ninguém havia passado de 7.650 metros durante uma tentativa invernal. Naquela temporada, várias equipes nepalesas chegaram ao Karakoram com planos próprios.

Competir ou unir forças

Um incêndio destruiu parte do equipamento de Nims no campo 2. Outros grupos também perderam material e encontraram condições severas. Em vez de disputar entre si o primeiro lugar, os principais escaladores nepaleses reuniram recursos e experiência. A solução era coletiva porque a montanha exigia isso.

No dia 16 de janeiro, o grupo avançou. A poucos metros do ponto mais alto, quem estava à frente esperou os demais. Dez homens alinharam-se, cantaram o hino do Nepal e caminharam juntos até o cume. Nenhum nome seria anunciado como o primeiro à frente dos outros.

Uma conquista do Nepal

Nims realizou a ascensão sem oxigênio suplementar; os outros nove usaram oxigênio no ataque final. O detalhe esportivo era extraordinário, mas a imagem coletiva foi maior. Por gerações, montanhistas nepaleses haviam aberto rotas, carregado equipamentos e realizado resgates enquanto o protagonismo internacional permanecia com líderes estrangeiros. No K2 de inverno, eles não eram apoio. Eram a expedição.

032019 · EverestO homem atrás da fotografiaUma fila acima de 8.000 metros mostrou ao mundo que o teto do planeta também podia ter trânsito.

A imagem mais conhecida do Project Possible não mostrava Nimsdai. Mostrava todo mundo.

Em 22 de maio, uma janela curta de bom tempo concentrou centenas de pessoas nas rotas do Everest. Próximo ao cume, Nims olhou para trás e viu uma linha quase contínua de roupas coloridas recortando a aresta branca. Pegou a câmera.

A zona da morte parada

A fotografia percorreu jornais e telas no mundo inteiro. Dezenas de alpinistas pareciam imóveis acima de 8.000 metros, onde cada minuto consome oxigênio e calor. Para uma audiência acostumada a imaginar o Everest como solidão absoluta, a cena era desconcertante.

A superlotação não tinha uma causa única. Muitas permissões, expedições comerciais, clientes com ritmos diferentes, cordas compartilhadas e poucos dias seguros empurravam todos para o mesmo corredor. A imagem não começou esse debate, mas lhe deu uma forma impossível de ignorar.

Há uma ironia poderosa: o homem que se tornaria símbolo da velocidade produziu o retrato definitivo de uma montanha parada. Naquele dia, o legado de Nims não estava apenas no cume alcançado, mas no enquadramento que obrigou o mundo a enxergar o novo Everest.

A conversa continua

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