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Edmund Hillary escalando no Himalaia durante a expedição ao Everest

Biografias Extremos · 004

Edmund Hillary

O homem que chegou ao topo do Everest e passou o resto da vida construindo escolas, hospitais e pontes para as comunidades que o ajudaram a chegar lá.

1919–2008Auckland, Nova ZelândiaMontanhista · Explorador · Filantropo
Everest · 29 de maio de 1953
8.849metros no Everest
ascensão confirmada, com Tenzing
90°SPolo Sul por terra em 1958
40+anos trabalhando no Nepal

Depois do Everest

O mundo o conheceu no topo.
Seu legado foi construído abaixo dele.

Hillary e Tenzing chegaram juntos. A fama foi instantânea; a responsabilidade duraria uma vida.

Edmund Percival Hillary nasceu em Auckland em 20 de julho de 1919 e cresceu entre a escola, a apicultura da família e uma imaginação alimentada por livros de aventura.

Uma viagem escolar ao monte Ruapehu revelou a neve ao adolescente tímido. Nos Alpes do Sul da Nova Zelândia, ele transformou resistência física e curiosidade em técnica. Em 1951 chegou ao Himalaia; dois anos depois, na expedição britânica de John Hunt, formou com Tenzing Norgay a dupla que alcançou o cume do Everest em 29 de maio de 1953.

O feito o tornou uma celebridade mundial. Hillary poderia ter vivido repetindo o mesmo cume. Preferiu explorar a Antártica, subir o Ganges e, sobretudo, voltar ao Khumbu. Por meio do Himalayan Trust, ajudou comunidades sherpas a construir as escolas, pontes, pistas e hospitais que elas próprias diziam necessitar.

O homem atrás do cume

Energia para subir.
Humildade para retornar.

Hillary nunca tratou o Everest como uma aventura individual nem permitiu que o topo encerrasse sua história.

01

Uma dupla, não um herói

A primeira ascensão pertence a Hillary e Tenzing Norgay, sustentados pelo trabalho de toda a expedição e dos carregadores himalaios.

02

Força prática

Apicultor e montanhista, levava à altitude resistência, improviso e uma confiança construída pelo trabalho.

03

Continuar explorando

Depois do Everest, alcançou o Polo Sul por terra e conduziu uma expedição em lanchas a jato pelo Ganges.

04

Transformar fama em ponte

Usou sua projeção para captar recursos e responder às prioridades definidas pelas comunidades do Nepal.

Uma vida além do topo

88 anos.
Do Everest ao serviço.

Montanhas, gelo, perdas e quatro décadas de um compromisso que começou depois da fotografia mais famosa.

Formação e montanhaExploraçãoNepal e legado
19190 anos

Nasce na Nova Zelândia

Edmund Percival Hillary nasce em 20 de julho, em Auckland, e cresce na região rural de Tūākau.

193516 anos

A primeira neve

Uma excursão escolar ao monte Ruapehu desperta uma paixão imediata por montanhas, frio e altitude.

193819 anos

Apicultor

Deixa a universidade e trabalha com o pai e o irmão. Os invernos livres tornam-se temporadas de escalada.

1943–4524–26 anos

Guerra e navegação

Serve na Força Aérea Real da Nova Zelândia como navegador de hidroaviões Catalina no Pacífico.

194829 anos

Aoraki / Mount Cook

Alcança o cume da montanha mais alta da Nova Zelândia e se consolida entre os melhores alpinistas do país.

195131–32 anos

O Himalaia

Escala no Garhwal e integra a expedição de reconhecimento do Everest, estudando a rota pelo lado nepalês.

29 mai 195333 anos

Everest

Às 11h30, Hillary e Tenzing Norgay completam a primeira ascensão confirmada da montanha mais alta da Terra.

Dois homens no cume
195333–34 anos

Sir Edmund

Recebe o título de cavaleiro, casa-se com Louise Rose e inicia uma vida pública que jamais havia planejado.

195535–36 anos

Barun e Makalu

Lidera uma expedição neozelandesa que explora o vale do Barun e escala 23 picos, incluindo o Baruntse.

195737 anos

Scott Base

Lidera o grupo neozelandês da Expedição Transantártica da Commonwealth e ajuda a estabelecer a base no mar de Ross.

4 jan 195838 anos

Polo Sul de trator

Hillary e quatro companheiros chegam ao Polo em tratores Ferguson modificados: os primeiros por terra desde Scott em 1912.

90° Sul
1960–6141 anos

Khumjung

Depois da expedição Silver Hut, capta recursos e supervisiona a construção da primeira escola do Himalayan Trust.

196444–45 anos

Lukla

Uma pista de pouso encurta o acesso ao Khumbu e torna possíveis os projetos de saúde e educação em maior escala.

196646–47 anos

Hospital de Khunde

Inaugura-se o primeiro dos dois hospitais impulsionados por Hillary para atender as comunidades himalaias.

197555 anos

Uma perda devastadora

Louise e a filha Belinda morrem num acidente aéreo no Nepal quando viajavam para se juntar a Hillary.

197758 anos

Do oceano à nascente

Lidera a expedição Ocean to Sky, subindo o Ganges em lanchas a jato até os Himalaias.

1985–8965–70 anos

Diplomacia e reconstrução

Torna-se alto-comissário na Índia e, após o incêndio de Tengboche, ajuda a mobilizar a reconstrução do mosteiro.

200383 anos

Cidadão do Nepal

Recebe cidadania honorária, reconhecimento raro por décadas de compromisso com o povo sherpa.

200888 anos

A última jornada

Morre em Auckland em 11 de janeiro. Seu trabalho prossegue por meio do Himalayan Trust.

Para além do cume

Três histórias que
explicam Hillary.

O Everest explica a fama. A Antártica revela sua inquietação. O Nepal mostra o homem que ele decidiu ser.

011953 · EverestDois homens no topo do mundoHillary e Tenzing venceram a última parede, pisaram juntos no cume e jamais permitiram que a parceria fosse apagada.

A fotografia mostra apenas Tenzing. A conquista, porém, pertence aos dois — e a uma expedição inteira.

A equipe liderada por John Hunt estabeleceu nove campos e transportou toneladas de equipamento pelo vale do Khumbu. Depois que Tom Bourdillon e Charles Evans recuaram do Cume Sul em 26 de maio, Hillary e Tenzing receberam a segunda tentativa. Em 28 de maio, montaram o Campo IX a cerca de 8.500 metros.

O degrau final

Partiram às 6h30 do dia 29 usando oxigênio suplementar. Alcançaram o Cume Sul às 9h e seguiram pela aresta estreita. Diante de uma parede de rocha e gelo de cerca de doze metros, Hillary encontrou uma fenda entre a rocha e uma cornija, escalou por ela e protegeu Tenzing. O obstáculo passaria a ser chamado Hillary Step.

Às 11h30 estavam no cume. Hillary fotografou Tenzing com o piolet e as bandeiras; Tenzing enterrou doces como oferenda. Permaneceram cerca de quinze minutos e desceram. A ascensão só se tornou sucesso quando ambos regressaram. Mais tarde, diante da insistência em saber quem pisara primeiro, os dois protegeram a ideia essencial: haviam chegado juntos.

021957–1958 · AntárticaTrês tratores rumo ao Polo SulA equipe deveria abrir rota e instalar depósitos. Hillary enxergou uma possibilidade e decidiu continuar até 90° Sul.

Cinco anos depois do ponto mais alto da Terra, Hillary apontou três tratores agrícolas para o lugar mais ao sul do planeta.

Seu grupo apoiava a travessia continental de Vivian Fuchs. Partindo da recém-construída Scott Base em 14 de outubro de 1957, Hillary, Murray Ellis, Jim Bates, Peter Mulgrew e Derek Wright transportaram dez toneladas, abriram uma rota pelo glaciar Skelton e deixaram depósitos para a equipe que vinha do mar de Weddell.

“Hell-bent for the Pole”

Quando a missão logística estava avançada, Hillary decidiu prosseguir. Os Ferguson TE20 foram modificados com esteiras, cabines e sistemas para o frio, mas continuavam sendo máquinas agrícolas trabalhando num continente de fendas e neve sem referência. A mensagem de rádio anunciando que seguiriam obstinadamente para o Polo gerou tensão com Fuchs.

Em 4 de janeiro de 1958, o pequeno comboio chegou a 90° Sul. Eram os primeiros a alcançar o Polo por terra desde Scott, 46 anos antes, e os primeiros usando veículos. Hillary não atravessou o continente — Fuchs completaria essa tarefa em março —, mas transformou uma operação de apoio numa das viagens mais improváveis da história antártica.

031960 em diante · NepalO Everest devolvido em escolasQuando perguntou aos sherpas do que precisavam, Hillary ouviu uma resposta simples: uma escola.

O cume lhe deu uma voz mundial. Hillary escolheu usá-la para responder a pedidos concretos das comunidades que o haviam recebido.

Em 1960, moradores do Khumbu disseram que sua prioridade era educação. Hillary captou dinheiro por conta própria e, no ano seguinte, supervisionou a escola de Khumjung. O projeto cresceu não como um monumento ao explorador, mas como uma rede definida por necessidades locais.

Infraestrutura para permanecer

Vieram outras escolas, pontes, sistemas de água, pistas de pouso, clínicas e hospitais. O Hospital de Khunde abriu em 1966; o de Phaplu, em 1975. O Himalayan Trust também apoiou reflorestamento e a reconstrução do mosteiro de Tengboche depois do incêndio de 1989.

O trabalho atravessou mais de quatro décadas, inclusive depois da perda de Louise e Belinda a caminho do Nepal. Os sherpas o chamaram de Burra Sahib, “grande de coração”. Hillary ficaria para sempre ligado aos quinze minutos no cume, mas investiu uma vida inteira naquilo que poderia permanecer quando ele já tivesse descido.

A conversa continua

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