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Amyr Klink diante das montanhas e do mar na Antártica

Biografias Extremos · 002

Amyr Klink

Navegador, escritor e construtor de barcos, atravessou o Atlântico Sul a remo, passou um inverno sozinho na Antártica e realizou duas circunavegações pelo oceano Austral.

Nascido em 1955São Paulo, BrasilNavegador · Explorador · Escritor
Arquivo pessoal · Amyr Klink
100dias a remo pelo Atlântico Sul
642dias entre a Antártica e o Ártico
88dias na circunavegação polar solo
Dezenasde expedições à Antártica

O explorador dos oceanos

− improviso+ planejamento

Para Amyr Klink, aventura nunca significou simplesmente enfrentar o desconhecido. Significou preparar-se para ele.

A trajetória de Amyr Klink reúne navegação oceânica e construção naval. Seus projetos exigiram anos de preparação, do estudo de ventos e correntes aos testes dos equipamentos que levaria a bordo.

Amyr Khan Klink nasceu em 25 de setembro de 1955, em São Paulo, filho de Jamil Klink, de origem libanesa, e Asa Frieberg Klink, sueca. Desde os dois anos frequentava Paraty com a família. Aos dez, comprou a canoa Max — o primeiro barco de uma coleção que ultrapassaria trinta embarcações.

Formou-se em Economia pela Universidade de São Paulo em 1978 e depois estudou Administração no Mackenzie. Durante a graduação, treinava remo na raia olímpica da USP pelo Clube Esperia. Foi nesse período que começou a desenvolver o projeto de atravessar o Atlântico a remo.

Em 1984, a travessia solitária do Atlântico Sul a remo o apresentou ao Brasil. Depois vieram a Antártica, um inverno deliberadamente preso no gelo, a viagem entre os dois polos e duas circunavegações austrais. Essas viagens deram origem a livros publicados no Brasil e traduzidos para outros idiomas, entre eles inglês, alemão e japonês.

A filosofia Klink

Não depender da força.
Depender do projeto.

Rotas, provisões e embarcações foram planejadas de acordo com as condições de cada expedição.

01

O Atlântico a remo

Em 1984, atravessou sozinho aproximadamente 3.700 milhas do Atlântico Sul no I.A.T. Remou durante cem dias, aproveitando as correntes na rota da África ao Brasil.

02

Um inverno no gelo

Levou deliberadamente o Paratii para congelar na Baía Dorian. O barco fora concebido para suportar sete meses e meio sob a pressão do inverno antártico.

03

Da Antártica ao Ártico

Quando o gelo deteve o Paratii, avançou de bote até 80° Norte. Regressou a Paraty depois de 642 dias e 27 mil milhas navegadas.

04

Extremo sul

Em 1998–1999, circunavegou a Antártica sozinho no Paratii. A expedição austral durou 88 dias e percorreu aproximadamente 14 mil milhas.

Engenharia de autonomia

Três barcos.
Projetos de expedição.

Do barco a remo aos veleiros polares, os projetos incorporaram soluções para navegar com autonomia, enfrentar o mau tempo e operar em regiões isoladas.

Amyr Klink a bordo do pequeno barco a remo I.A.T.01

1983 · Barco a remo oceânico

I.A.T.

Projetado para atravessar o Atlântico Sul a remo, com apenas um homem a bordo.

Com 5,94 metros de comprimento, o I.A.T. foi desenvolvido para recuperar a posição normal após um capotamento. Logo no início da travessia, diante da costa africana, virou três vezes e se endireitou, confirmando a eficácia do projeto do engenheiro naval José Carlos Belford Furia. Amyr completaria a viagem depois de cem dias.

Missão
África → Brasil
Propulsão
Dois remos
Resultado
3.700 milhas
Amyr Klink sobre o convés do veleiro Paratii na Antártica02

1989 · Veleiro polar

Paratii

Projetado para resistir à pressão do gelo e permitir uma invernagem solitária na Antártica.

Construído em alumínio após a primeira viagem de Amyr à Antártica, o veleiro partiu de Paraty em dezembro de 1989. Na Baía Dorian, permaneceu sete meses e meio imobilizado pelo gelo, antes de seguir rumo ao Ártico e retornar ao Brasil em 1991. Em 1998, a mesma embarcação seria utilizada em uma nova expedição, desta vez para circunavegar a Antártica pelo oceano Austral.

Missão
Dois polos
Invernagem
7,5 meses
Grande viagem
642 dias
Paratii 2 diante de uma parede de gelo na Antártica03

2001 · Plataforma de expedições

Paratii 2

Preparado para longas expedições e para receber tripulação em regiões remotas.

Concluído em 2001, o veleiro tem 28,6 metros de comprimento e 8,5 metros de boca. Sua construção ampliou a capacidade de transporte e de permanência no mar em relação ao primeiro Paratii. Entre dezembro de 2003 e fevereiro de 2004, Amyr e cinco tripulantes circunavegaram a Antártica a bordo em 76 dias sem escalas.

Construção
7 anos
Material
Alumínio
Vocação
Regiões polares

Uma vida navegando

71 anos.
O horizonte continua aberto.

Da primeira canoa em Paraty às expedições oceânicas, acompanhe os principais acontecimentos da trajetória de Amyr. As idades indicam quantos anos Amyr tinha — ou completou — em cada etapa.

Travessias Barcos e polos Livros e legado
19550 anos

Nasce em São Paulo

Amyr Khan Klink nasce em 25 de setembro. Ainda pequeno começa a frequentar Paraty com a família.

196510 anos

A primeira canoa

Compra em Paraty a canoa Max. É o começo de uma relação com embarcações que ultrapassaria três dezenas de barcos.

A origem
197822–23 anos

O horizonte ganha escala

Forma-se em Economia pela USP e realiza sua primeira viagem internacional: segue de motocicleta até o Chile.

198327–28 anos

Nasce o I.A.T.

Conclui o barco a remo oceânico desenvolvido para autonomia, estabilidade e sobrevivência em mar aberto.

198428 anos

Cem dias entre céu e mar

Parte de Lüderitz, na Namíbia, e chega à Praia da Espera, na Bahia, em 18 de setembro, após 100 dias e aproximadamente 3.700 milhas remando sozinho pelo Atlântico Sul.

Primeira travessia solitária a remo do Atlântico Sul
198529–30 anos

A aventura vira literatura

Publica Cem Dias entre Céu e Mar, que se tornaria um clássico brasileiro da literatura de viagem.

198630–31 anos

A primeira viagem à Antártica

Amyr realiza sua primeira expedição à Antártica. A experiência o leva a desenvolver o projeto do veleiro Paratii, especialmente preparado para enfrentar o inverno no continente.

198934 anos

Paratii deixa Paraty

Em 31 de dezembro, inicia sozinho a expedição que o levaria da Antártica ao Ártico durante 642 dias.

O barco como projeto
199034–35 anos

Um inverno preso no gelo

O Paratii permanece sete meses e meio imobilizado na Baía Dorian. Amyr enfrenta sozinho o inverno antártico, cuidando da manutenção e dos sistemas de bordo.

199135–36 anos

Do extremo sul ao extremo norte

Com o Paratii bloqueado pelo gelo ártico, avança de bote até 80° Norte. Retorna a Paraty em 4 de outubro: 642 dias e 27 mil milhas.

Entre dois polos
199236–37 anos

Paratii: Entre Dois Polos

Publica o relato da longa expedição. O livro permaneceria por mais de 50 semanas entre os dez títulos de não ficção mais vendidos no país.

1993–9437–39 anos

Janelas, memória e patrimônio

Lança As Janelas do Paratii, vencedor do Jabuti de Produção Editorial em 1994, e torna-se sócio-fundador do Museu Nacional do Mar.

199438–39 anos

Começa o Paratii 2

Inicia um projeto de sete anos para construir uma plataforma de expedições autônoma, preparada para longas temporadas polares.

1996–200040–45 anos

Uma família ligada ao mar

Casa-se com a velejadora Marina Bandeira. Nascem as gêmeas Tamara e Laura, em 1997, e Marina Helena, em 2000.

1998–9943 anos

Antártica 360°

A bordo do Paratii, completa sozinho uma circunavegação da Antártica, percorrendo aproximadamente 14 mil milhas durante uma expedição austral de 88 dias.

Volta ao mundo pelo extremo sul
200044–45 anos

Mar sem Fim

Publica o relato da circunavegação austral, um dos livros mais conhecidos de sua carreira.

200145–46 anos

Paratii 2 fica pronto

Depois de sete anos de desenvolvimento e construção, conclui o veleiro de alumínio e inicia os testes de navegação, antes da viagem experimental à Antártica no ano seguinte.

200246–47 anos

O Paratii 2 chega à Antártica

Em uma de suas primeiras grandes expedições polares, o novo veleiro realiza uma viagem experimental à Antártica, permitindo testar os equipamentos e avaliar o desempenho da embarcação em condições reais.

2003–0448 anos

Outra volta pelo Sul

A bordo do Paratii 2, com cinco tripulantes, repete a circunavegação polar: aproximadamente 13.300 milhas em 76 dias sem escalas.

O projeto vira equipe
200650–51 anos

Linha-d’Água

Publica um livro sobre os bastidores: estaleiros, construtores e o trabalho necessário para transformar ideias em embarcações.

202671 anos

100 Dias chega ao cinema

Com estreia comercial prevista para 29 de outubro, o filme 100 Dias, dirigido por Carlos Saldanha e protagonizado por Filipe Bragança, leva ao cinema a travessia solitária do Atlântico Sul realizada por Amyr em 1984. Inspirado no livro Cem Dias entre Céu e Mar, o longa também aborda a juventude e as relações familiares do navegador.

Conheça os bastidores do filme

A viagem continua na página

Livros de uma
vida no mar

A obra de Amyr Klink reúne relatos de travessias oceânicas, fotografias, experiências de navegação e histórias sobre a construção de embarcações. Conheça cinco títulos que ajudam a compreender suas principais expedições e a evolução de seus projetos. Esta seleção editorial não abrange toda a sua bibliografia, que inclui também Não Há Tempo a Perder, publicado em 2016.

011985 · Travessia do AtlânticoCem Dias entre Céu e MarO relato da primeira travessia solitária a remo do Atlântico Sul, da preparação à chegada à Bahia.
Capa do livro Cem Dias entre Céu e Mar

Publicado em 1985, o livro narra a travessia realizada no ano anterior e explica as decisões que permitiram cruzar o Atlântico Sul em um barco a remo.

A narrativa acompanha a viagem de Lüderitz, na Namíbia, à Praia da Espera, na Bahia. Amyr descreve os capotamentos iniciais, a influência das correntes e os cuidados com alimentação, descanso e comunicação.

O cotidiano no I.A.T. inclui reparos, encontros com animais marinhos e a necessidade de manter os equipamentos funcionando durante cem dias de isolamento.

O livro teve edições em italiano e espanhol e adaptações para o teatro infantil. Sua repercussão ajudou a divulgar a travessia para além do público ligado à navegação.

Companhia das Letras · relato da expedição de 1984

021992 · Antártica e ÁrticoParatii: Entre Dois PolosA invernagem na Antártica e a navegação até o Ártico, em uma expedição de quase dois anos.
Capa do livro Paratii: Entre Dois Polos

Em Entre Dois Polos, Amyr relata a expedição de 1989 a 1991, que incluiu uma longa permanência na Antártica antes da viagem ao hemisfério norte.

O relato acompanha os preparativos para passar o inverno na Baía Dorian e a vida a bordo durante o período em que o veleiro ficou preso no gelo.

Na etapa seguinte, o navegador segue para o Ártico. As escalas, os encontros e as mudanças de clima fazem parte do percurso de aproximadamente 27 mil milhas, encerrado com o retorno a Paraty.

Publicado em 1992, o livro permaneceu por mais de cinquenta semanas entre os dez títulos de não ficção mais vendidos no Brasil.

Companhia das Letras · 642 dias e 27 mil milhas

031993 · Ensaio fotográficoAs Janelas do ParatiiUm registro fotográfico da expedição entre a Antártica e o Ártico a bordo do Paratii.
Capa do livro As Janelas do Paratii

Publicado em 1993, o livro reúne 112 fotografias feitas durante a expedição entre os dois polos.

As sete janelas do veleiro orientam a apresentação das paisagens observadas ao longo da viagem, do gelo antártico aos portos visitados no percurso.

As imagens complementam o relato de Paratii: Entre Dois Polos, documentando os lugares por onde Amyr passou e as condições que encontrou.

Foi o primeiro livro de fotografias a entrar na lista brasileira dos dez mais vendidos e recebeu, em 1994, o Prêmio Jabuti de Melhor Produção Editorial — Obra Avulsa.

Companhia das Letras · 112 fotografias · Prêmio Jabuti 1994

042000 · Antártica 360°Mar sem FimA preparação e a viagem solitária do Paratii ao redor da Antártica, em 1998–1999.
Capa do livro Mar sem Fim

Mar sem Fim acompanha a primeira circunavegação austral de Amyr, desde os preparativos e a partida de Paraty, em outubro de 1998.

A instalação de um novo mastro e o atraso na entrega do equipamento fazem parte do relato. No oceano Austral, o navegador enfrenta tempestades, gelo e baixa visibilidade, com períodos curtos de sono.

O livro descreve a viagem completa, incluindo os trajetos de ida e retorno ao Brasil. Os 88 dias e aproximadamente 14 mil milhas citados na biografia de Amyr se referem à circunavegação austral.

A edição inclui fotografias, mapas, desenhos do Paratii e ilustrações da fauna antártica de Sírio Cançado.

Companhia das Letras · 88 dias · aproximadamente 14 mil milhas

052006 · Barcos e estaleirosLinha-d’ÁguaA construção do Paratii 2 e as viagens que colocaram à prova as soluções do novo veleiro.
Capa do livro Linha-d’Água

Linha-d’Água acompanha o desenvolvimento, a construção e as primeiras viagens do Paratii 2, com relatos do trabalho em estaleiros e marinas.

Amyr descreve a participação de projetistas e construtores, os testes de equipamentos e as dificuldades práticas para concluir e colocar o barco em operação.

As lembranças das canoas de Paraty e das embarcações anteriores ajudam a explicar as escolhas do novo projeto, preparado para viagens prolongadas e para receber a família a bordo.

Publicado em 2006, o livro também aborda a navegação do Paratii 2 e a experiência de trabalhar com tripulação nas expedições polares.

Companhia das Letras · entre estaleiros e homens do mar

A conversa continua

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