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Roman Romancini
Por: Roman Romancini  |  julho de 2026

Dos primeiros passos no Glaciar Baltoro ao Campo 1, acompanhe os relatos enviados diretamente da montanha por Roman Romancini durante sua expedição ao Gasherbrum II (8.035m).

27 de junho de 2026

Era para ser um dia de descanso, mas resolvi fazer um descanso ativo junto com o pessoal daqui.

Subimos dos 3.400 m aos 4.100 m até um ponto de onde era possível observar o K2 e o Broad Peak, duas das cinco montanhas acima de 8.000 metros existentes no Paquistão. O lugar é simplesmente bonito demais para ficar o dia inteiro dentro da barraca.

No fim, ainda tomei um banho em uma cachoeira de degelo. Refrescante!

À tarde recebi a confirmação de que o dia seguinte seria longo: entre 9 e 10 horas de caminhada até o próximo acampamento, já sobre o glaciar.

29 de junho de 2026

Ontem foi um dia muito duro. Foram mais de 9 horas para chegar a Urdukas. Estava bastante fraco por causa de uma forte infecção intestinal e de uma noite mal dormida. Hoje o dia seria mais leve, com cerca de 5 a 6 horas até Goro II. Acordei melhor, embora ainda com pouca energia.

A região é muito peculiar. As montanhas são extremamente escarpadas e pontiagudas, um verdadeiro paraíso para quem pratica escalada em rocha. A caminhada de aproximação é completamente diferente da do Nepal: muito mais remota, muito mais rústica. A paisagem é impressionante.

Goro II é um acampamento lindo, montado sobre o glaciar, cercado por rios de degelo e montanhas espetaculares. Dali já é possível avistar Concordia, além dos acampamentos-base do Broad Peak e do Gasherbrum IV.

À noite enfrentamos muito frio. O plano para o dia seguinte era caminhar entre 8 e 9 horas pelo Glaciar Baltoro até Concordia, onde a expedição se dividiria. Parte seguiria para o acampamento-base do K2 e Broad Peak, enquanto nosso grupo continuaria rumo aos Gasherbrum I e II. Se tudo corresse bem, no dia seguinte chegaríamos ao acampamento-base.

30 de junho de 2026

Finalmente chegamos ao Acampamento-Base dos Gasherbrum, acima dos 5.000 metros. É um lugar muito peculiar: de um lado está o Paquistão, do outro a Índia e, ao fundo, a China. A caminhada até aqui foi dura, mas as montanhas compensam todo o esforço. A região é simplesmente espetacular.

Curiosamente, durante a aproximação enfrentamos um calor de quase 40°C, algo difícil de imaginar em uma expedição dessa altitude. Amanhã será um dia de descanso e, depois disso, começaremos os ciclos de aclimatação e a montagem dos acampamentos superiores.

Aproveitando, uma pergunta: você sabe exatamente onde ocorreu o acidente do Rodrigo Raineri?

1º de julho de 2026

Família, o plano é o seguinte: hoje foi mais um dia de descanso aqui no acampamento-base. Amanhã, às 3 horas da manhã, iniciaremos nossa primeira rotação de aclimatação. A programação prevê duas noites no Campo 1 e uma noite no Campo 2.

Vou tentar permanecer o máximo possível nos campos altos, dentro do que o tempo e meu corpo permitirem, buscando fazer a melhor aclimatação possível. Todo esse ciclo deve durar entre quatro e cinco dias. Depois voltaremos ao acampamento-base para descansar e, quando abrir uma boa janela de tempo, iniciaremos o ataque ao cume.

6 de julho de 2026

Finalmente chegamos ao Campo 1, a 5.800 metros, depois de mais de 11 horas de caminhada. Que dia absolutamente alucinante! A melhor definição é um verdadeiro Kinder Ovo, cheio de surpresas. Imaginem uma Cascata do Khumbu cerca de 150% maior, muito mais longa e completamente coberta de neve. E praticamente sem escadas nem cordas fixas, salvo raríssimas exceções. É um verdadeiro labirinto de gretas, seracs, pontes de neve e rios de degelo.

O dia começou às 3 horas da manhã. Na última hora resolvi trocar as botas pelas botas de 8.000 metros, já pensando em prolongar esta rotação de aclimatação e transformá-la em uma só. Essa decisão acabou me atrasando. Saí por último e ainda precisei voltar à barraca para buscar o extensor do crampon. Para alcançar o grupo, Tashi, meu parceiro, acabou cortando um trecho da rota.

Dali em diante foi só "samba" no glaciar. Começaram a aparecer bolhas nos pés e, em alguns trechos de pedras, precisei até retirar os crampons. Usei meus patches e ainda emprestei vários para o restante do grupo.

Em determinado momento, uma quase queda nos obrigou a colocar novamente os crampons. Perdemos o grupo outra vez e, pouco depois, encontramos uma amiga sentada ao lado de uma piscina de degelo, trocando de roupa. Coitada. Ela havia caído até a cintura dentro da água gelada. Eram cerca de 4 horas da manhã e estava completamente encharcada.

Aproximamos e percebi que a situação era crítica. Enquanto os sherpas procuravam roupas secas nas mochilas, pensei que o melhor seria cuidar imediatamente das extremidades. Os pés e as mãos dela já estavam extremamente gelados e endurecidos. Cobrimos seu corpo com todos os casacos e roupas secas disponíveis, mas concentrei minha atenção principalmente nas mãos e nos pés.

Então abri todas as minhas camadas de roupa e coloquei seus pés e suas mãos diretamente sobre meu peito e minha barriga para aquecê-los com o calor do corpo, uma prática comum em situações como essa. O frio era impressionante, literalmente congelante. Olhei para ela e perguntei: "Está sentindo alguma coisa?" Entre tremores quase incontroláveis, ela respondeu apenas: "Frio."

Permaneci assim até que seus pés começaram novamente a se mover. Disse que o sol logo iria nascer e que tudo melhoraria. Decidimos continuar a caminhada. O sherpa trocou de botas e saiu correndo pelo glaciar, já iluminado pelo sol, para tentar secar toda a roupa antes de chegarmos ao acampamento.

O nascer do sol aqueceu não apenas o corpo, mas também a alma. Continuamos avançando por aquele labirinto de gelo durante mais de 11 horas, e aquela havia sido apenas a primeira surpresa do dia.

To be continued...

9 de julho de 2026

Concluímos mais uma importante etapa da aclimatação no Gasherbrum II (8.035 m). Depois da primeira rotação, já estamos de volta ao Campo Base. Passamos uma noite no Campo 1 e, no dia seguinte, seguimos pela Banana Ridge até alcançar o Campo 2. Foi uma escalada dura, mas fundamental para adaptar o organismo à altitude e preparar o corpo para as próximas fases da expedição.

Após mais uma noite no Campo 1, iniciamos a descida até o Campo Base, onde agora descansamos e acompanhamos atentamente a evolução das condições meteorológicas. As previsões indicam a chegada de um período de muita neve a partir do dia 11, o que poderá atrasar o avanço das equipes na montanha.

Se a previsão se confirmar, a próxima janela de bom tempo deverá ocorrer por volta do dia 15 de julho. Enquanto isso, a equipe responsável pela instalação das cordas fixas pretende subir para tentar equipar a rota até o Campo 3, um passo importante para que as expedições possam avançar em direção ao ataque ao cume.

11 de julho de 2026

Os planos por aqui estão mudando. A princípio, sairíamos para o ciclo de cume no dia 13 de julho. O cronograma previsto era chegar ao Campo 1 no dia 13, ao Campo 2 no dia 14, ao Campo 3 no dia 15 e realizar o ataque ao cume no dia 16, com retorno ao Campo 1.

12 de julho de 2026

Atualização do plano: agora sairemos no dia 14 de julho rumo ao Campo 1. Se as condições permanecerem favoráveis, a tentativa de cume deverá acontecer no dia 17 de julho.

Nevou bastante durante a noite e continua nevando ao longo de todo o dia. Por causa das condições da montanha, tivemos que adiar o cronograma em um dia.

13 de julho de 2026

Partimos às 2h da manhã (horário local) rumo ao Campo 1 (C1). A previsão é tentar o cume nos dias 16 ou 17 de julho, dependendo do avanço da equipe responsável pela instalação das cordas fixas (fixing team).

14 de julho de 2026

Já estamos no Campo 1. Apesar da altitude, o calor impressiona: quando o sol bate na barraca, a temperatura ultrapassa os 40°C. Agora é aguardar o momento de seguir para os campos superiores rumo à tentativa de cume.

15 de julho de 2026

Já estamos no Campo 1 (C1). Apesar da altitude, o calor impressiona: quando o sol bate na barraca, a temperatura ultrapassa os 40°C. Agora é aguardar o momento de seguir para os campos superiores rumo à tentativa de cume.

16 de julho de 2026

Os planos precisaram ser alterados novamente. Nevou bastante durante a noite no Campo 1 e, por isso, permaneceremos mais um dia por aqui. A subida ao Campo 2 (C2) foi adiada para amanhã e a tentativa de cume passa a ser prevista para o dia 18 de julho.

17 de julho de 2026

Hoje iniciamos a subida para o Campo 2 sob excelentes condições climáticas. O dia está perfeito para a escalada e, se tivéssemos mais alguns dias assim, seria o cenário ideal para a tentativa de cume.

Chegamos em segurança ao Campo 2. Que lugar maravilhoso! A escalada até aqui foi simplesmente espetacular.

A previsão do tempo continua favorável até o dia 21 de julho. Se tudo correr como planejado, amanhã seguiremos para o Campo 3 (C3) e, no dia 18 de julho, faremos a tentativa de cume.

18 de julho de 2026

Partimos para o Campo 3 em condições perfeitas de tempo. A montanha finalmente oferece uma excelente janela para o ataque ao cume.

Já estamos no Campo 3, um lugar espetacular. Permaneceremos descansando durante o dia e sairemos nesta noite para a tentativa de cume.

Estou na barraca do Campo 3, a aproximadamente 7.000 metros, tentando comer o máximo possível e descansar. A saída para o ataque ao cume está prevista entre 19h e 20h, com chegada ao cume por volta das 6 horas da manhã.

19 de julho de 2026

Infelizmente, tivemos um grande contratempo. A rota ainda não estava totalmente equipada e as cordas fixas terminaram no meio da noite. Mais de 50 montanhistas ficaram parados por mais de três horas aguardando a continuação dos trabalhos. Diante da situação, retornamos ao Campo 3. Amanhã veremos como a situação evolui.

21 de julho de 2026

Atualização dos planos: nesta manhã, a equipe responsável pela abertura da rota conseguiu chegar ao cume do Gasherbrum II, sinal de que as condições da neve melhoraram bastante.

Com base nas informações da previsão do tempo, faremos uma segunda tentativa. A saída do Campo Base está prevista para o dia 23 de julho, com tentativa de cume no dia 26 de julho. Desta vez, toda a logística e os recursos foram coordenados para aumentar nossas chances de sucesso.

22 de julho de 2026

As condições na montanha continuam desfavoráveis. Consultamos os principais serviços de previsão meteorológica do mundo — incluindo Itália, Portugal e Estados Unidos — e, infelizmente, todos indicam que não existe uma janela segura para a tentativa de cume.

Além disso, as condições da neve tendem a piorar nos próximos dias. Chove intensamente no Campo Base e os acampamentos superiores estão sendo gradualmente soterrados pela neve.

A avaliação da equipe é de que o risco de avalanches permanece muito elevado. Ainda não houve um período de sol e vento suficiente para consolidar a neve. Pelo contrário, a previsão continua indicando novas precipitações e ventos, favorecendo a formação de placas e aumentando significativamente o risco de avalanches, principalmente acima dos 7.000 metros.

No momento, existe apenas uma pequena melhora prevista para o dia 26 de julho, mas ela não seria suficiente para uma segunda tentativa de cume. Com toda essa neve acumulada, a rota provavelmente estará novamente soterrada e precisará ser reaberta.

Ainda faremos uma última avaliação amanhã, mas, neste momento, o consenso entre as equipes é desmontar o Campo Base e retornar para casa.

23 de julho de 2026

Mudança de planos. As previsões meteorológicas melhoraram um pouco para o período entre os dias 25 e 27 de julho. Por isso, decidimos subir novamente durante a madrugada para o Campo 1 (C1) e avaliar as reais condições da montanha.

Se as condições estiverem favoráveis, seguiremos para o Campo 2 ou Campo 3 no dia 25 de julho e tentaremos o cume na noite do dia 25 para o dia 26 de julho, quando a previsão indica uma possível janela de bom tempo.

Será nossa última tentativa. Agora é torcer para que as condições da neve acima dos 7.000 metros finalmente permitam a ascensão ao Gasherbrum II (8.035 m).

24 de julho de 2026

Chegamos ao Campo 1 (C1) depois de mais de 9 horas de travessia pela cascata de gelo. A rota estava bem mais segura após a nevasca. Saímos por volta das 3 horas da manhã, com uma noite parcialmente estrelada e temperatura agradável para a escalada. Ao chegarmos ao acampamento voltou a nevar, mas sem vento, formando uma neve de excelente qualidade. Agora é hora de hidratar, comer, descansar e seguir para cima. Segundo a previsão recebida, os dias 26 e 27 de julho ainda aparecem como os mais promissores para uma tentativa de cume.

25 de julho de 2026

A situação voltou a mudar. A nova previsão indica que a janela de tempo para os dias 26 e 27 de julho praticamente desapareceu. Nevou intensamente ontem e hoje, a ponto de precisarmos desenterrar a barraca no Campo 1. Permanecemos avaliando as condições da rota, da neve e as previsões meteorológicas. Amanhã decidiremos se seguimos para o Campo 2 (C2) ou se retornamos ao Campo Base para aguardar uma nova oportunidade. Infelizmente, esta temporada tem sido extremamente difícil.

28 de julho de 2026

Decidimos permanecer no Campo 1 (C1) aguardando a próxima janela de bom tempo, prevista entre os dias 29 de julho e 1º de agosto. Descer toda a cascata de gelo até o Campo Base e subir novamente seria muito desgastante para apenas dois dias de descanso. Hoje fomos até a base da rota, na Banana Ridge, e, apesar da neve na altura dos joelhos, encontramos as cordas, a neve e o gelo em boas condições. Deu até vontade de pegar as piquetas e escalar a parede de blue ice. Acreditamos que, pelo menos até o Campo 2 (C2), as condições seguem favoráveis, já que os ventos e as avalanches vêm limpando naturalmente a rota. A previsão é subir ao C2 no dia 29 de julho. Enquanto isso, continua nevando forte no C1 do fim da tarde até a noite, e meu passatempo tem sido desenterrar a barraca todas as manhãs. Quase todos já desistiram. Restamos apenas quatro escaladores insistindo, acompanhados por um grupo de sherpas. Ao todo, devo passar mais de 10 dias acima dos 6.000 metros. Se nada mais, sairei desta expedição hiperaclimatado. Forte abraço!

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